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Rui Moreira

Os e-mails dos Manéis

Não pergunto a ninguém se tem ou não cartão partidário e não excluo ninguém pela sua cor política, raça ou credo.

Rui Moreira 20 de Novembro de 2016 às 00:30
Caro Manuel, recebi o seu e-mail 73 vezes nas últimas semanas. E, lá pela Câmara, quase todos os funcionários que me ajudam a tratar da cidade também o receberam, cada um deles, várias vezes. Pela amostra que os meus amigos me fazem chegar, toda a gente no Porto está farta de receber o seu e-mail, várias vezes. Como tenho a certeza de que não será capaz de ler todas as respostas que lhe dão, não me resta senão usar esta página para o avisar de que a máquina que está a usar para endereçar estes milhares de e-mails está avariada e os repete indefinidamente. Aviso-o porque ouvi dizer que essas máquinas, que são capazes de enviar mensagens de e-mail em massa e que, dizem, Donald Trump usou na sua campanha negra, são caras. E a sua está avariada. Peça o dinheiro de volta, pois imagino que os seus gastos comecem a ser elevados, com e-mails, páginas de Facebook anónimas mas patrocinadas e investigações patéticas.

Na verdade, caro Manuel, sempre o ignorei. Mas este seu último e-mail deixou-me intrigado. Acusa-me, não de crimes horrorosos, como já tinha feito outro Manuel num outro e-mail mais seletivo, mas de não ser independente. Para o provar, sustenta que trabalho com gente do PSD, do PS, do CDS e até de outros quadrantes e origens. Pois, caro Manuel, quero apenas evitar que gaste tanto dinheiro nessa campanha. É que eu próprio a farei. Aliás, já fiz. Sempre disse que, neste Porto, cabem todos. E como não pergunto a ninguém se tem ou não cartão partidário e não excluo nem incluo ninguém pela sua cor política, raça, credo ou género, acabo, como independente, por ter o privilégio de trabalhar com todos. Também não faço saneamentos políticos. Não expulsei de lugares de chefia na Câmara gente competente apenas por ter sido nomeada pelo meu antecessor ou porque o chefe da banda que o manda a si tocar este instrumento não gosta. Caro Manuel, bem sei que por aí onde lhe pagam o salário, sabe-se lá com que dinheiro, as eleições no Porto são uma chatice. Já o foram em 2013. Mas, quanto a isso, não o posso ajudar. Esta cidade é diferente das outras. Foge aos cânones políticos e sociais, finta as sondagens que eu não mando fazer e escolhe, de forma livre, quem quer que a governe. Por isso, caro Manuel, aceite um conselho: saia do armário. Assuma-se. Ninguém lhe fará mal.

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Alternativas: Exposição - Amadeo no Soares dos Reis
O Museu Nacional Soares dos Reis tem patente uma exposição que recria a polémica mostra de Amadeo de Souza-Cardoso há 100 anos. Em exposição estão quase todas as obras que então mostrou no salão de festas do jardim Passos Manuel e que agora ocupam a galeria de exposições do Soares dos Reis. O jardim de Passos Manuel era, há 100 anos, um local muito frequentado pela burguesia, e nele foi construído, mais tarde, o Coliseu do Porto. A reprodução do local mas também as obras expostas por Amadeo de Souza-Cardozo justificam a visita. O pintor morreu em 1918, com 30 anos de idade, e as suas obras estão dispersas por coleções públicas e privadas. Exposição ruma a Lisboa a partir de 12 de janeiro, para o Museu do Chiado.

O meu Facebook: Luzes de Natal nos municípios
Sempre que se anuncia o investimento de uma câmara na iluminação e animação de Natal há milhares de pessoas entusiasmadas e a pôr gostos no Facebook, mas há também quem ache que é um desperdício e evoque as dificuldades de famílias. Os investimentos nas cidades não podem ter apenas um foco. Apesar de a coesão social consumir uma fatia enorme do orçamento, não podemos deixar de olhar para os fatores de atratividade e promover o comércio local. O valor gasto nas iluminações pouco acrescentaria aos muitos milhões que estamos a investir na promoção de políticas sociais, como a reabilitação de bairros e o apoio às rendas a centenas de famílias no Porto. Mas ajuda a criar e manter emprego no comércio tradicional.


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