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Rui Moreira

Ratoeira fiscal

Os ingleses têm, por boa razão, dois conceitos diferentes para ‘politics’ e ‘policies’.

Rui Moreira 31 de Janeiro de 2016 às 00:30
Um país precisa de política, mas sobretudo de políticas. Os ingleses têm, por boa razão, dois conceitos diferentes para ‘politics’ e ‘policies’.

A ausência de uma política de natalidade em Portugal é paradigmática. Em vez de uma estratégia de combate ao envelhecimento, assistimos ao anúncio de medidas avulsas e inócuas, logo descontinuadas pelo governo seguinte.
O resultado é conhecido e coloca Portugal numa trajetória demográfica insustentável. Em contraste, o País adotou uma estratégia consistente de combate à mortalidade infantil, que a fez baixar de 10,9 para 2,8 em 25 anos, retirando Portugal da cauda da Europa para o pódio mundial nesta matéria.

Infelizmente, casos como este último são raros. Do mar à agricultura, da indústria à educação, o País vive sem políticas ou com a sua permanente inversão. Vejamos o caso da mobilidade. Há 30 anos, Portugal tinha das piores redes rodoviárias da Europa. Hoje está no top a nível mundial. Mas isso corresponde a uma política? Creio que não. Pelo menos, não corresponde a uma política sustentável.

Enquanto investíamos tardiamente em autoestradas, a Europa investia em redes ferroviárias rápidas, confortáveis e sustentáveis e na densificação de transportes públicos urbanos, em alternativa ao automóvel.

A Metro do Porto, sendo um excelente exemplo do que deveria ter sido o caminho feito em Portugal, viu o seu processo de expansão interrompido e nunca atingiu a densificação necessária.

Hoje, saindo do Porto, pela A4, vemos novo investimento no alargamento da autoestrada e do túnel de Águas Santas. A obra é atribuída a um concessionário, é certo, mas demonstra que, mesmo em período de contração, o País não trava a aposta no automóvel, enquanto a densificação do transporte urbano e coletivo está em pousio.

Mas o que faz ainda menos sentido é que a aposta nas redes rodoviárias seja acompanhada por uma enorme carga fiscal nos combustíveis, que já atinge 69% do seu preço. A promoção da rede viária em detrimento da ferroviária e do transporte urbano pode até parecer uma política, mas, na verdade, não passa de uma estratégia de ratoeira fiscal.

Uma diabólica máquina instalada que constrói, promove e até oferece, para depois taxar e cobrar além do razoável, como também foi o caso das SCUT. E sempre foi assim.

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Alternativas: Documentário - Companhia de bailado
A companhia que nasceu no Rivoli, no Porto, e hoje está sediada em Lisboa voltou neste fim de semana a estrear na Invicta, o que não acontecia há 18 anos. No palco principal do Teatro Municipal do Porto, viveram- -se momentos mágicos em sessões na sexta-feira e no sábado. Para quem viu e gostou ou para quem não pôde assistir às duas sessões esgotadas, e ainda quer aproveitar a presença da CNB, tem hoje uma oportunidade. A realizadora Cláudia Varejão e a sua assistente de som Adriana Bolito acompanharam a companhia durante 12 meses, recolhendo as imagens que fazem parte do documentário que hoje se apresenta às 17 horas no Grande Auditório Manoel de Oliveira. A exibição faz parte da programação, que pode ser consultada em http://www.teatromunicipaldoporto.pt.

O meu Facebook: www.facebook.com/ruimoreira2013 - Ajuda aos sem-abrigo
Mereceu muitos aplausos na minha página de Facebook o anúncio de que a Câmara vai lançar um programa para combater o fenómeno dos sem-abrigo. Logo apareceram links para falsas notícias indicando que no Porto há 1600 pessoas "sem-abrigo". Claro que no Porto não existem 1600 pessoas a dormir nas ruas e apenas por má-fé ou sensacionalismo se pode afirmar. Segundo os números das instituições, não haverá mais do que uma centena. São muitos, realmente, demais mesmo, e nem sequer tenho a certeza que seja possível a um programa municipal erradicar completamente o fenómeno. Mas é importante não dar como verdadeiro tudo o que circula na internet ou faz parangonas em jornais, sem ler a notícia.



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