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Rui Pereira

Crimes nos Comandos

Não devemos esquecer os nossos deveres de humanidade em circunstância alguma.

Rui Pereira 19 de Novembro de 2016 às 01:45
Histórias simples podem ter consequências trágicas. Num dia de calor intenso, os comandos foram submetidos a uma prova em condições extremas, que replicam os piores cenários de guerra. A água foi doseada com tal usura que alguns não resistiram. O corpo humano não é uma máquina e temperaturas acima de 42 graus provocam a falência de órgãos. Dois militares morreram.

Hugo Abreu e Dylan da Silva não deviam ter morrido. Não estavam a combater pela Pátria, embora o treino seja indispensável. Quem organiza, supervisiona e acompanha um curso tem de zelar pela saúde e integridade dos instruendos. Neste caso, deve ter previsto e aceitado que eles sofressem as consequências do ‘golpe de calor’ sem tomar as contramedidas necessárias.

Por isso, sete militares graduados (cinco oficiais e dois sargentos), sem contar com dois enfermeiros que já eram arguidos por se remeterem ao silêncio, enfrentam a imputação de crimes graves: abuso de autoridade por ofensas graves, agravadas pelo resultado morte. Para além das vidas dos jovens, considera-se que estes crimes põem em causa os interesses da instituição militar.

Penas pesadas, mais severas do que as previstas no Código Penal, correspondem a tais crimes: prisão de oito a dezasseis anos. Como sempre, todos os arguidos (incluindo um tenente-coronel e o capitão-médico que acompanhou o exercício) se presumem inocentes até à condenação definitiva. Porém, os indícios trazidos por autópsias e testemunhos parecem sólidos.

Desta história trágica podemos extrair uma ilação simples: não devemos esquecer os nossos deveres de humanidade em circunstância alguma. No entanto, seria errado prescindir de tropas preparadas para os teatros de guerra mais duros, como os comandos, ou isentá-las dos treinos adequados. Portugal tem não só o direito mas também o dever de zelar pela sua defesa militar.
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