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Rui Pereira

Fora os muçulmanos

O terrorismo exige medidas eficazes mas dispensa afirmações irresponsáveis.

Rui Pereira 12 de Dezembro de 2015 às 00:30
Eis algumas afirmações emblemáticas de um candidato presidencial bem posicionado: "Temos de fechar total e completamente a possibilidade de os muçulmanos entrarem em Portugal até as nossas autoridades perceberem o que se está a passar. Os principais fornecedores de heroína, cocaína e outras drogas ilícitas são cartéis brasileiros que têm imigrantes a tentar passar a fronteira para fazer tráfico. Quando o Brasil manda para cá gente, não manda os melhores."

E se nos dissessem que estas pérolas são da autoria de Marcelo Rebelo de Sousa, Maria de Belém Roseira ou Sampaio da Nóvoa? Ninguém acreditava. Na pior das hipóteses, perguntávamos como teria um representante da extrema- -direita mais pura e dura (que chora lágrimas de crocodilo pela morte precoce de Hitler e censura os judeus pela invenção do Holocausto) conseguido as sete mil e quinhentas assinaturas exigidas para se candidatar à Presidência da República.

A verdade, porém, é que estas frases foram proferidas por Donald Trump, o famoso milionário que é pré-candidato republicano à presidência dos Estados Unidos da América e está melhor colocado (pelo menos por agora) para disputar a eleição com o candidato democrata – que será, ao que tudo indica, Hillary Clinton. Na citação, apenas substituí as referências aos Estados Unidos e ao México por menções a Portugal e ao Brasil, para a conversa fazer algum sentido.

Não é provável que Donald Trump, corifeu do setor mais xenófobo e sexista do Partido Republicano, seja eleito presidente. Porém, a circunstância de estar bem colocado para disputar a eleição é, em si, um sinal preocupante. Os Trump e os Le Pen prosperam com o terrorismo e favorecem as organizações terroristas. Será que podemos fazer melhor favor ao Daesh ou à Al-Qaeda do que nomeá- -los representantes oficiosos de mil e quinhentos milhões de muçulmanos?

Uma águia de cabeça branca, que simboliza os Estados Unidos da América (chamada ‘Tio Sam’ com propriedade), compreendeu o que está em causa e atirou-se a Trump numa sessão fotográfica. A ave deve ter percebido que Trump não é a pessoa indicada para lhe proporcionar um futuro seguro. O terrorismo exige medidas de segurança eficazes e uma guerra sem tréguas contra organizações criminosas que se arvoram em Estados, mas dispensa estas afirmações irresponsáveis.
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