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Piloto morre em corrida de motos no Estoril

Sérgio Pereira Cardoso

Mas, primeiro, uma selfie

“João já tinha apresentado ao mundo a sua nova t-shirt, numa foto de perfil que alterou poucos minutos depois de passar pela Waveshaper”

Sérgio Pereira Cardoso 17 de Janeiro de 2016 às 00:30
Quem utiliza o Facebook facilmente se lembrará de pelo menos um amigo que publica algo sobre todos os passos que dá, tira fotografias de todas as refeições que se prepara para deglutir e faz questão de anunciar qualquer feito pessoal ou profissional que conquiste. Lá no fundo, João, de 20 anos, era apenas mais um exemplo entre tantos outros espalhados pela rede social. O que o jovem assaltante de Esposende não imaginaria é que seria essa busca pelos ‘gostos’ que o colocaria de algemas nos pulsos.
Na manhã de 11 de junho de 2014, João e dois amigos entraram na loja Waveshaper, na rua Dom Pedro da Cunha, centro daquela cidade minhota. Saíram pouco depois, sem nada comprarem. Tudo, aparentemente, normal.
Apenas mais tarde, ao arrumar um conjunto de peças de roupa, é que o funcionário se apercebeu da falta de, pelo menos, uma t-shirt de uma marca com bastante fama entre os praticantes de skate. Preço de venda ao público: 50 euros. Para João, eram mais 50 euros do que aquilo que tinha previamente orçamentado.
Assim que chegou à loja, durante a tarde, o proprietário Raul Oliveira tratou de saber todos os pormenores do que acontecera. Como conhecia o grupo que havia visitado o seu estabelecimento, lembrou-se de fazer uma pesquisa no Facebook. Voilá. João já tinha apresentado ao mundo a sua nova t-shirt, numa foto de perfil que alterou poucos minutos depois de passar pela Waveshaper. Ia já com quase 30 ‘gostos’. Um sucesso.
Raul Oliveira fez questão de juntar a GNR ao grupo de ‘seguidores’ de João. Guardou a imagem numa pen e levou-a até ao posto. Os militares esboçaram logo um sorriso. Aquela cara já era bem conhecida – o currículo criminal incluía delitos que iam dos furtos à posse ilegal de arma, passando por danos em viaturas.
Avançou-se para uma busca na residência do suspeito e pouco tempo demorou a ser encontrada a t-shirt de que o rapaz de mãos leves tanto tinha gostado. Os familiares de João ainda tentaram demover o comerciante de apresentar queixa. "Nem pensar", ouviram logo como resposta.
O jovem ladrão foi a tribunal e o juiz voltou a deixá-lo cá fora, dando-lhe mais uma oportunidade para refletir no que tinha feito. E, já agora, para ir às definições de privacidade do Facebook colocar o seu perfil um pouco menos público.
Facebook João
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