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Sérgio Pereira Cardoso

Não sou eu... Ok, sou eu

A hipótese de cada pessoa ter alguém fisicamente idêntico espalhado pelo mundo tem sido, ao longo dos tempos, tema de múltiplas obras de escritores e teóricos.

Sérgio Pereira Cardoso 24 de Janeiro de 2016 às 00:30
Mais recentemente, foram até criadas páginas na internet com o objetivo de ajudar nessa busca pelo ‘doppelgänger’ – termo alemão, com uma carga paranormal, que pode ser traduzido como ‘sósia perfeito’.

Esta foi a teoria apresentada por um assaltante apanhado pelas câmaras de videovigilância da Farmácia Lusitana, na avenida de Roma, em Lisboa. Ao ver as imagens publicadas no Correio da Manhã, o ladrão ficou indignado – com o jornal debaixo do braço, dirigiu-se à Polícia Judiciária, dizendo que, apesar das enormes semelhanças, não era ele o homem filmado. Foi logo detido e levado para a cadeia.

Recuemos ao dia 7 de setembro de 2011. Pelas 20h40, de cara totalmente destapada, vestido com roupa escura e de mochila às costas, o homem de 24 anos dirigiu-se ao balcão do estabelecimento, até cumprimentou a funcionária e pediu-lhe uma embalagem de Guronsan. O humor num dia de ressaca pode ser complicado de gerir e, assim que a farmacêutica se virou, já tinha uma pistola apontada. Em pânico, foi obrigada a entregar o dinheiro e o ladrão ainda levou o medicamento sem pagar. Antes de fugir com os cerca de 200 euros, deixou uma exigência à funcionária: "Espere cinco minutos e depois pode chamar a polícia".

No mês seguinte, o Departamento de Investigação e Ação Penal autorizou a divulgação das imagens nos jornais, tendo em vista a captura do assaltante. O jovem não gostou de se ver no Correio da Manhã e dirigiu-se, voluntariamente, às instalações da PJ. Disse que o homem filmado era muito parecido com ele e que isso até já lhe estava a causar problemas.

Pouco crentes nessa história de ‘doppelgänger’, os inspetores rapidamente lhe apanharam a mentira. Foi detido e acabou por confessar que tinha feito outros três assaltos a estabelecimentos comerciais, entre os meses de setembro e outubro. Os crimes até foram bem sucedidos, já que conseguiu sempre levar o dinheiro das caixas registadoras, mas esqueceu-se de ler a página 2 no manual dos ladrões: em locais filmados, convém tapar a cara. É que, a não ser que tenha um irmão gémeo, o argumento do sósia não vai evitar a condenação em tribunal.
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