Barra Cofina

Correio da Manhã

Colunistas
3
Conteúdo exclusivo para Assinantes Se já é assinante faça LOGIN Assine Já
Piloto morre em corrida de motos no Estoril

Victor Bandarra

O longo braço da MULTANOVA

Miguel nunca tinha ouvido falar no cinemómetro-radar. Até ao dia em que lhe aparece em casa uma multa de 120 euros por excesso de velocidade, com a chancela da Polícia Municipal de Lisboa.

Victor Bandarra 2 de Fevereiro de 2020 às 00:30

O tal radar havia detectado o seu carrito em 2ª mão a circular às 8 da manhã pelo Campo Grande à estonteante velocidade de... 71 km/hora. Lá vinha a foto com a matrícula. Miguel suspira. 120 euros! Trabalhador em armazém e pai de 2 filhos, ganha pouco mais do que o ordenado mínimo. Todos os dias, sai de casa à lufa-lufa para levar as crianças à escola. 120 euros é quase o que paga de propina por cada um deles. Passada a Av. da República, Miguel desacelera, enquanto dezenas de carros o ultrapassam a grandes velocidades. Ele sabe que o limite de velocidade dentro da cidade é de 50 km/hora e ouviu dizer que, às vezes, há por ali um radar que funciona. Naquele dia, o radar funcionou. "Meu Deus! Mas.. 120 euros de multa!!" Miguel dá-se ao trabalho de ler a lei: o excesso   de   velocidade   na   cidade   até   aos
70 km/hora dá uma multa de, no mínimo,
30 euros. A partir dos 70 km/h, passa logo para 120 euros. "Já é azar! Por 1 quilómetro/hora a mais pago mais 90 euros..."

Às voltas com a notificação, Miguel informa-se das cegas subtilezas da lei. Pode pagar voluntariamente   a   multa   ou   "apresentar defesa ou requerimento no prazo de 15 dias úteis". Seguem-se as letras miudinhas, um arrazoado que um simples mortal leva tempo a decifrar. O casal entreolha-se. Não tem meios nem tempo para defesa ou pedido de pagamento em prestações. Fraca consolação, querem acreditar que muitas centenas de outros condutores são todos os dias apanhados pelo tal cinemómetro-radar. Porque, de vez em quando, os radares funcionam; e são cegos. Agora interessado nos radares lisboetas, Miguel viaja pela Net e fica a saber que há radares fixos e móveis. Quando os radares são fixos é obrigatória a afixação "em local bem visível" de sinalética sobre a existência e até localização das câmaras. Mas que confusão! Miguel não sabe nem sonha se o tal radar é fixo ou móvel. Fica sim a saber que, se dois carros forem apanhados por um radar na mesma foto, um paralelo ao outro, a velocidade não é registada. Lida e relida a notificação, Miguel acaba mesmo por se indignar: o equipamento do dito radar dá pelo nome   de...   MULTANOVA   MUVR-6FD. Exactamente!   MULTANOVA!   Por   pudor, podiam ter inventado um nome mais pedagógico. Mas do mal o menos, Miguel aprende uma lição: quando for atrasado para a escola dos miúdos, há-de encostar o carro a outro velocista para não ser caçado pelo raio da MULTANOVA.

Exclusivos

Assinatura Digital

Acesso sem limites em todos os dispositivos Assinatura válida na APP Correio da Manhã Newsletters exclusivas E-paper antecipado no Quiosque Ofertas e descontos do Clube CM+
Assine já! 1€ no 1º mês
Ver comentários
Hoje nas bancas
Capa do Dia
A primeira página do Correio da Manhã e o acesso ao e-paper Ver todas as
primeiras páginas
CM+
O Correio da Manhã para quem quer MAIS conteúdos e vantagens
Assine já 1 mês/1€
  • Todo o conteúdo exclusivo sem limites nem restrições.
  • Acesso a qualquer hora no site ou nas apps.
  • Acesso à versão do epaper na noite anterior.
  • Clube CM+ com vantagens e ofertas só para assinantes