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Francisco José Viegas

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As letras e as ciências queixavam-se de uma certa "ignorância" de parte a parte – os cientistas não tinham lido Dickens; os letrados ignoravam a termodinâmica e não sabiam a tabuada.

Francisco José Viegas 18 de Dezembro de 2012 às 01:00

C.P. Snow (1905-1980) criou por isso o conceito de "duas culturas".

Hoje em dia, o desequilíbrio favorece as ciências. Sobretudo em Portugal, onde a ‘cultura literária' foi sempre muito mais valorizada do que a ‘cultura científica' (um cientista lê poesia, vai ao teatro, etc.; duvido que uma pequena minoria de ‘letrados', sequer, se interesse por questões científicas, o que é uma pena).

No ano passado, o Prémio Leya foi ganho por um engenheiro electrónico, João Ricardo Pedro; este ano, foi atribuído a um físico, Nuno Camarneiro, investigador no CERN e no departamento de química de Aveiro - e já autor de um romance. A literatura sai "das letras". É muito bom.

Já foi lançada a obra ‘Mudanças', romance do Nobel da Literatura deste ano, o chinês Mo Yan (Divina Comédia). Antes de pedir o seu extermínio por motivos políticos, leiam-no, por favor.

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