Barra Cofina

Correio da Manhã

Opinião
2
5 de Setembro de 2009 às 00:30

A decisão da administração da TVI em cancelar o Jornal Nacional de Manuela Moura Guedes é um daqueles actos que tanto podem acelerar este processo embrionário como o fazerem abortar. Tudo depende de como a sociedade portuguesa reagir ao que está a acontecer. Vários porta-vozes do PS já vieram a público negar qualquer interferência deste numa decisão tão insensata quanto brutal. Fizeram muito bem. O partido que lutou em Portugal pela liberdade de imprensa ao ponto de sair do IV governo provisório por causa do jornal República não pode ficar indiferente a este triste e inquietante episódio e deve voltar a colocar a liberdade de imprensa nas prioridades da sua acção política. Só assim os seus militantes serão fiéis ao regime democrático por que tantos lutaram.

Pouco via o dito Jornal, não gostava do seu ar atordoador, mas sentia-me bem num país que o consumia sem perturbações. Fico mais inquieto com o seu cancelamento por uma administração que nem sequer respeitou as formas da autonomia editorial que o regime democrático em Portugal incorporou no seu código genético. A liberdade de imprensa em Portugal foi construída por nós. Não a estraguem.

VAMOS APOIAR O BRASIL?

Isto está a ficar impossível. Já não se pode criticar a decisão de convocar Liedson para a Selecção sem se correro risco de se ser apelidado de xenófobo. Aconteceu isso com a Marta Rebelo, que aceitando sem pestanejar o facto de o Benfica poder entrar em campo sem um único jogador português achou que a naturalização do ‘Levezinho’ dava a este todos os direitos civis, menos o de se chamar rei Sebastião da equipa nacional de futebol. Pois concordo com ela, não sei se com os mesmos argumentos. Um jogador de futebol que só aos 31 anos descobre que é virgem de chamadas à equipa brasileira e sente um serôdio amor pela camisola das quinas não me agrada como salvador nacional. Aceitei com naturalidade um Deco universal e um Pepe cidadão mas custa-me depender de um truque de última hora. Mesmo que seja a bem das finanças da FPF. Quase que apetece apoiar directamente o Brasil na África do Sul…

OBRA CHEGOU AO JAPÃO?

Todos sabemos comoo general MacArthur implantou a democracia no Japão. Pois mais de 50 anos depois o Partido Liberal perdeu as eleições e a alternância chega finalmente a Tóquio. O Partido Democrata ganhou por maioria absoluta e aposta no poder de compra dos japoneses para sair da crise económica: melhores ordenados, melhores reformas, luta contra o desemprego. Fim da era da rendição, ou Obama chegou ao Japão?

MISSAS E FUNERAIS

Manuela Ferreira Leite não convida nenhuma personalidade do PSD para fazer campanha eleitoral, (nem sequer o Paulo Rangel?), e afirmou em sua defesa que também não se fazem convites para funeraise missas do 7º Dia. A comparação tem um ar soturno e não augura uma noite de muita alegria para o dia 27 de Setembro. Aquelas cores quaresmais dos cartazes são mesmo um estado de espírito!

EX-MINISTROS DO MESMO GOVERNO

Contrariamente à condição de ministro, que é temporária,a de ex é vitalícia.

Pois andam à bulha dois ex-ministros de Sócrates num prólogo do futuro: Campos e Cunha e Correia de Campos. O primeiro aceitou que lhe cortassem a reforma por um terço e ficou mais um mês no executivo; o outro aceitou com desportivismo o seu licenciamento de funções, e seguiu disciplinadamente para o PE. Curiosamente têm opiniões diferentes sobre a bondade deste governo. Como explicar?

A SEGUIR

A selecção de futebol: jogos hoje contra a Dinamarca e quarta contra a Hungria, ambos para ganhar. Para ir à África do Sul é preciso que alguém resolva. Ronaldo, Nuno Gomes, Simão? Todos? – É provável que o sul-africano JM Coetzee ganhe o qualificado Man Booker Prize deste ano com o livro ‘Summertime’. Próxima semana em Londres. – Entretanto recomendo o também Booker Prize ‘Vernon Little – O Bode Expiatório’, de DBC Pierre, da Gradiva.

Ver comentários