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Correio da Manhã

Opinião
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Armando Esteves Pereira

Justiça sem coutadas

Dirigentes de grandes clubes beneficiavam de quase imunidade.

Armando Esteves Pereira(armandoestevespereira@cmjornal.pt) 8 de Julho de 2021 às 00:32
Parece ironia, mas 48 horas antes de o Parlamento votar uma lei concebida apenas com um objetivo , tirar poder e protagonismo a Carlos Alexandre no Ticão, já que ninguém conseguia afastar o magistrado deste tribunal fundamental do combate ao crime de colarinho branco, o juiz participa numa ação histórica da Justiça ao deter um presidente em exercício de um grande clube.

Até parecia que a liderança dos grandes clubes outorgava o benefício de coutada dos dirigentes. Só uma vez esse tabu ia sendo quebrado, quando, no âmbito da operação Apito Dourado, Pinto da Costa escapou para a Galiza, evitando assim a detenção. A Justiça só conseguiu prender Vale e Azevedo, apesar de todos os indícios anteriores, depois de os sócios o terem afastado da direção do Benfica. O mesmo aconteceu no Sporting com Jorge Gonçalves.

Vieira tem direito à presunção de inocência, mas desde os negócios do futebol aos calotes milionários ao Novo Banco tem tantas pontas soltas que arrisca passar nos próximos anos num calvário judicial.

O MP e Carlos Alexandre mostraram que há uma Justiça sem coutadas, igual para todos. Esse legado não pode ser esquecido.


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