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Correio da Manhã

Opinião
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11 de Fevereiro de 2006 às 17:00
Esta foi uma boa semana para Portugal. A iniciativa da Sonae ao lançar uma OPA sobre a Portugal Telecom é um marco na vida do País que não será apagado, qualquer que seja o resultado final dessa OPA. É um sinal de vitalidade e revela a confiança no futuro da economia portuguesa.
Curiosamente, nas últimas semanas têm-se intensificado sinais da mesma natureza e que apontam no mesmo sentido. Foi a decisão do Ikea de instalar em Portugal o seu principal centro de produção mundial. Os investimentos na área do Turismo em Tróia e na costa alentejana em valor jamais pensado por alguém. A presença de Bill Gates e a assinatura do acordo com o patrão da Microsoft para ajuda no desenvolvimento tecnológico do País, uma refinaria em Sines, etc., etc. Portugal parece acordar de um longo sono. Investidores internacionais de grande envergadura ‘descobriram’ este pequeno mas importante país europeu. Os investidores nacionais que pareciam não existir abandonaram as suas reticências e lançaram-se em apostas fortes na economia portuguesa.
Américo Amorim, Patrick Monteiro de Barros, entre muitos outros, protagonizaram intervenções ousadas que são sinais de muita confiança. Neste contexto, a iniciativa de Belmiro de Azevedo, talvez a mais arrojada, merece ser saudada. E é muito curiosa a reacção do País em geral. Com poucas excepções, todos aplaudiram a coragem, a sagacidade e a oportunidade da OPA da Sonae. Certamente a esta OPA seguir-se-á uma OPA concorrente, o que só confirmará que a economia portuguesa está reanimada e recomenda-se. Qualquer destas operações é inequivocamente mais importante que a realizada pela Autoeuropa, que era até agora o único exemplo que tínhamos para mostrar sobre as vantagens da presença de grandes projectos no País.
Ponho-me a pensar noutro momento em que tenha acontecido coisa semelhante. E confesso que não encontro nenhum. Os investimentos internacionais eram de pouca monta e jogados mais numa lógica de aproveitamento circunstancial de mão-de-obra barata. Os investidores nacionais não se sentiam com a confiança necessária para arriscar e a maior parte deles tinha o seu dinheiro em praças internacionais. E, assim, Portugal tem vivido praticamente em crise desde o 25 de Abril. Um ou outro período mais equilibrado mas sempre o espectro esmagador dos factores negativos. Ainda hoje estamos em crise, é verdade. Mas o problema mais grave que a economia portuguesa evidenciava era a falta de confiança.
Pela primeira vez há sinais que cativam e convencem os investidores internacionais e nacionais. Isto não é uma dádiva dos deuses. É o resultado do trabalho sistemático de um Governo que começou há um ano a pôr ordem na vida do País. Desburocratizar, facilitar as regras do funcionamento da economia, diminuir o peso do Estado, eliminar o déficit orçamental, estimular os investimentos internacionais, apoiar os empreendedores portugueses.
O resultado é surpreendente. Oxalá este ciclo não se interrompa e o País se modernize. Os nossos filhos merecem.
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