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Correio da Manhã

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Leonardo Ralha

Uma dor na língua

Desde o início do ano passei a ver a língua portuguesa como um campo minado durante o horário laboral.

Leonardo Ralha 6 de Janeiro de 2013 às 01:00

Em cada frase que escrevo para os leitores do Correio da Manhã exercito-me a evitar qualquer uma das palavras desfiguradas pelo Acordo Ortográfico, que passou a vigorar no meu jornal – a bem dos leitores mais jovens, que aprendem o ‘bê-á-bá’ desprovido de consoantes mudas –, recorrendo a sinónimos para que os textos passem incólumes às barbaridades urdidas por linguistas e acatadas pelo poder político português mesmo após o Brasil ter adiado a aplicação para as calendas tropicais. Desde o início do ano, a língua portuguesa parece-me feia quando a leio e quando a escrevo. Não é a língua portuguesa que amo e que é parte importante de mim. É uma dor na língua. Espero que se possa acordar deste pesadelo o quanto antes.

Para os fãs da grafia única recomenda-se a canção ‘Let’s Call the Whole Thing Off’, dos irmãos Gershwin. Quer pronunciem ‘potato’ ou ‘potatoe’.

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