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Correio da Manhã

Opinião
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Caminhada penosa

O próximo Presidente terá de gerir uma crise política.
Eduardo Dâmaso(eduardodamaso@sabado.cofina.pt) 8 de Dezembro de 2020 às 00:31
Marcelo Rebelo de Sousa apresentou a sua recandidatura a Belém com uma boa definição do que espera o próximo inquilino do Palácio. Uma "caminhada penosa" será o quadro fundamental da actuação do próximo Presidente. Penosa porque enfrentamos uma pandemia, uma crise económica que acrescenta uma enorme imprevisibilidade à nossa vida colectiva e de recuperação incerta. Mas a caminhada será também penosa porque o próximo Presidente terá como parceiro de percurso um Governo mais frágil e um sistema político em transformação que ameaça levar o País para trilhos muito incertos.

O efeito do crescimento eleitoral do Chega marcará a vida política pelos anos do próximo mandato que será, por isso, muito mais exigente. O próximo Presidente terá seguramente de gerir uma crise política e encontrar soluções num quadro partidário incapaz de gerar maiorias absolutas de um só partido. Seja Marcelo ou qualquer outro, o Presidente terá de fazer escolhas e o consenso dificilmente será o traço de união entre ele, os partidos e os portugueses.

Habituemo-nos à ideia de "caminhada penosa" porque ela vai ficar. Pelo menos enquanto a vacinação global não fizer o seu papel e os motores da economia não reaquecerem.
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