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Correio da Manhã

Opinião

O candidato e o aparelho

Talvez a manutenção da "confiança" de Costa em Cabrita dependa da clarificação de Marcelo.
Alfredo Leite(alfredoleite@cmjornal.pt) 12 de Dezembro de 2020 às 00:34
O ressuscitado caso da tortura e morte de um cidadão ucraniano nas instalações do SEF está a deixar nervoso o aparelho socialista. A líder parlamentar amenizou as críticas a Eduardo Cabrita, que tutela aquela polícia de fronteira, enquanto o MNE Santos Silva juntou-se aos que defendem a ação e a "clareza" do ministro face a "um crime" das polícias.

Já António Costa abriu uma exceção e falou em Bruxelas de política caseira para manifestar "total confiança" no titular da Administração Interna. A última vez que Costa declarou confiança num ministro foi para segurar Azeredo Lopes, que se demitiria dez dias depois. Confrontado, agora, com o anúncio feito por Cabrita para a reestruturação do SEF, o Presidente da República questionou "se os que deram vida ao sistema podem dar vida ao seguinte".

Terá razão quando diz que quem levou o SEF ao estado atual não "tem condições para protagonizar" uma segunda vida. Mas ficará a dúvida se tal veemência, proferida por Marcelo após nove meses de silêncio, é do Presidente ou do recandidato a Belém.

Talvez a manutenção da "confiança" de Costa em Cabrita dependa da clarificação de Marcelo.
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