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Correio da Manhã

Opinião
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A república dos bananas

Transferir doentes para o Funchal em vez de badajoz penaliza menos?
Alfredo Leite(alfredoleite@cmjornal.pt) 30 de Janeiro de 2021 às 00:33
Em outubro passado, quando quatro hospitais apresentavam uma ocupação de 100% em Cuidados Intensivos e três estavam preenchidos a 88%, confiou-se na sorte e esperou-se que a curva ascendente da Covid-19 pudesse descer, como que por um milagre. Depois veio o Natal e o resto da história já se sabe.

Estamos na CNN, na Al Jazeera e em todos os grandes media internacionais. Já não pelo sucesso, mas porque no Mundo ninguém é pior que nós. Há cadáveres amontoados nas morgues, filas de ambulâncias nos hospitais e administradores a acusar o envio de doentes ligeiros para Urgências de primeira linha.

E há o INEM, a quem nunca terão dito para fazer o contrário. Pelo meio, transferem-se pacientes de avião de Lisboa para o Funchal, a mil quilómetros e ainda mais euros. Talvez tivesse sido de avaliar Badajoz, a 200 quilómetros.

Ou só não o fizeram porque, politicamente, a ajuda internacional penaliza mais um Governo já razoavelmente à deriva? E o interesse do doente?

Se isto não é uma república das bananas é, no mínimo, uma república com falta de vergonha e muitos bananas. Onde nada acontece. Nem sequer demissões.
Covid-19 Cuidados Intensivos Natal política acidentes e desastres
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