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Correio da Manhã

Opinião
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Memória curta

A Cova da Iria tem sido palco das maiores operações de segurança realizadas no nosso país.
Paulo João Santos 15 de Maio de 2021 às 00:32
Palavras do cardeal António Marto, horas antes do início da peregrinação do 13 de maio, numa alusão aos acontecimentos da festa do título do Sporting: “Aqui não é preciso trazer os corpos da Polícia, da GNR”, referindo-se ao santuário mariano. Foi um momento infeliz do bispo de Leiria-Fátima, um homem inteligente e sensato. A fogueira dos confrontos entre polícia e adeptos leoninos ainda queima, não precisa de mais lenha, além de não ser exatamente verdade o que afirma. A Cova da Iria tem sido palco das maiores operações de segurança realizadas no nosso país, envolvendo milhares de agentes da PSP, militares da GNR, serviços secretos, Forças Armadas. Foi assim nas visitas de João Paulo II, de Bento XVI, de Francisco, será assim em 2023, próxima visita do Papa. Mas nem sequer é preciso viajar tanto no tempo. O 13 de maio deste ano foi fortemente vigiado pelas autoridades policiais e houve muitos protestos dos que ficaram à porta, de vela na mão. Gente que caminhou centenas de quilómetros por amor e fé. E se recuarmos à peregrinação aniversária de setembro de 2020, olhamos para um recinto de oração com 100 mil pessoas, num dia em que os números da pandemia eram muito piores do que os da última quarta-feira (sete mortos e mais de 1200 novos casos).

Na festa dos leões de Alvalade houve muitos pecados e muitos pecadores. Mas já Cristo dizia, na sua humildade: “Quem nunca pecou que atire a primeira pedra.”
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