Barra Cofina

Correio da Manhã

Opinião
1

Fomos enganados

Os portugueses é que andam há demasiado tempo a ser enganados.
Eduardo Dâmaso(eduardodamaso@sabado.cofina.pt) 20 de Maio de 2021 às 00:32
PostScript eduardo damaso.eps (5945197) (Milenium)
PostScript eduardo damaso.eps (5945197) (Milenium)

António Ramalho, presidente do Novo Banco, disse no Parlamento que o Grupo Moniz da Maia, detentor de uma dívida de 550 milhões de euros, transitada do BES, não agiu de boa-fé na renegociação desta e que, por isso, vendeu a pataco, com um perdão de dívida de 90 por cento, a um grupo americano.

Perceberam bem? O senhor Moniz da Maia, o tal que não se lembra de nada, que não tem nada, a não ser umas empresas em paraísos fiscais, beneficiou do melhor dos dois regimes.

Primeiro, o da festa de crédito fácil organizada por Ricardo Salgado antes de 2014, para controlar o poder financeiro e político. Depois, o do banquete abutre com os restos da festa, sendo-lhe permitido acautelar a fortuna em paradeiro certo e longínquo, com responsabilidade zero cá no burgo.

"Fomos enganados!", disse Ramalho, para explicar como não valia sequer a pena litigar em tribunal. Equivocou-se no destinatário da manha do senhor Maia. Os portugueses é que andam há demasiado tempo a ser enganados e espoliados por esta trupe.

E é uma vergonha coletiva termos chegado quase a meia década de democracia sem que esta gente seja punida.

Ver comentários