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Correio da Manhã

Opinião
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Um trabalho dois sistemas

Não há nenhuma justificação para manter o teletrabalho.
Paulo João Santos 31 de Maio de 2021 às 00:33
O Governo insiste em criar dois tipos de trabalhadores: os que trabalham e os que teletrabalham, como se fosse a mesma coisa. Não é. Um trabalhador que se desloca para o seu posto de trabalho tem muito menos tempo para si e para a família, consumido em viagens, além de suportar encargos maiores com a alimentação, o transporte, o próprio vestuário. Mas quem fica em casa também sofre, desde logo o facto de ficar privado do convívio com os colegas e da vivência social - uma espécie de prisão domiciliária com tudo o que isso implica em termos de saúde mental - a que se soma outro tipo de gastos.
Também o controlo sobre o desempenho da função está longe de ser o mesmo.

A explicação para manter artificialmente uma situação que já não se justifica está ao nível das garantias dadas sobre a prometida bolha dos adeptos ingleses, rapidamente se percebendo que não havia bolha nenhuma. Foi um número de ilusão. Também no teletrabalho tem havido muita falta de clareza e quando se esconde o verdadeiro objetivo de uma decisão é de temer o pior. Já não é o risco de contágio que está em causa, não faz sentido, é a organização do trabalho e as próprias leis laborais. Terreno fértil a abusos e discriminações, que nos devem preocupar a todos.
Governo economia negócios e finanças economia (geral)
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