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Correio da Manhã

Opinião
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A mina de ouro real

A banca portuguesa serviu um regime plutocrático.
Armando Esteves Pereira(armandoestevespereira@cmjornal.pt) 30 de Junho de 2021 às 00:33
Armando Esteves Pereira
Armando Esteves Pereira
Os contribuintes portugueses já pagaram o golpe milionário de Joe Berardo à Caixa Geral de Depósitos e continuamos a pagar o buraco gerado no Novo Banco pelo empresário madeirense que veio com fama de fortuna da África do Sul, mas que verdadeiramente engrossou o seu portfólio , que inclui algumas das melhores quintas das zonas de Azeitão, do Bombarral e da Bairrada, quando regressou a Portugal.

O mito urbano da fortuna de Berardo na África do Sul é a história da compra de uma mina de ouro abandonada onde antes vendia vegetais. Curiosamente, todo o regime acreditou nesse conto digno da Gata Borralheira. As mais altas figuras do Estado deram-lhe comendas e a coleção de arte idealizada por Francisco Capelo tornaram o icónico especulador numa figura com o País a seus pés.

Mas, na verdade, a grande mina de ouro descoberta por Berardo foi a Banca portuguesa do regime que na primeira década deste milénio era quase plutocrático.

Porém, Berardo não é o único grande devedor da Banca suspeito de golpes com graves custos para os contribuintes. A lista é pública. Espera-se que todos respondam perante a Justiça.
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