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Correio da Manhã

Opinião
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Os sem-abrigo da saúde

Passaram a noite ao relento na esperança de uma consulta.
Paulo João Santos 31 de Outubro de 2021 às 00:32
Não se sabe ao certo quantas pessoas ali estavam, andaria pelas duas centenas, talvez, não se via o fim da fila, mas eram seguramente largas dezenas. Sentadas no chão, encostadas à parede, passaram a noite ao relento na esperança uma consulta no centro de saúde de Agualva, sob a ameaça de chuva.

Alguns levaram cobertor, fazendo da calçada cama e da palma da mão almofada. Em silêncio ou conversas de circunstância, tão revoltados quanto impotentes, foram contando as longas horas de espera na esperança de serem atendidos.

O drama de Agualva não é virgem, não é de ontem, repete-se por todo lado, seja para a marcação de consultas, seja para atendimento em urgência hospitalar. Não é uma, nem duas, nem três horas de espera, são horas e horas intermináveis, um desespero.

Há casos em que o melhor é levar o almoço, o jantar e, pelo sim, pelo não, uma bucha para a madrugada. Fala-se em ‘terceiro mundo’, mas não sei ao certo se será a designação correta, porque o que estamos a assistir na Saúde não é de mundo nenhum, é o caos, a falta de respeito pelos utentes, pelos doentes, pelos familiares que os acompanham.
Agualva questões sociais saúde
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