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Correio da Manhã

Opinião
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Fantasmas do futuro

Inflação e subida de juros ameaçam os orçamentos dos próximos anos.
Armando Esteves Pereira(armandoestevespereira@cmjornal.pt) 24 de Maio de 2022 às 00:32
O Orçamento do Estado que esta semana será aprovado na Assembleia da República é um exercício fácil para o Governo. A subida de inflação, sem correção salarial este ano, representa um aumento significativo das receitas fiscais.

Fernando Medina até arrisca fazer um figurão nos números finais com o documento que no outono passado foi elaborado por João Leão.

Mas os desafios para os orçamentos do futuro, como o do próximo ano, que a equipa das Finanças vai começar a preparar, são mais complicados.

Além de no próximo ano o gasto com pensões e salários da Função Pública significar uma maior pressão nas contas públicas, os juros da dívida, que já começaram a subir e vão continuar com a tendência ascendente, obrigarão a desviar mais recursos e dinheiro dos contribuintes.

Em 2022, a inflação come-nos poder de compra e aumenta-nos impostos sem darmos por isso, mas nos próximos anos não vamos ter folgas na pressão fiscal.

A escalada de juros em resposta à inflação galopante é um fantasma que ameaça a estabilidade económica e pode travar a retoma de um país sobre-endividado.
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