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Correio da Manhã

Opinião
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Apagar a ata

Credibilidade política ganha-se com ética, não apenas com a lei.
Eduardo Dâmaso(eduardodamaso@sabado.cofina.pt) 29 de Setembro de 2022 às 00:32
A sugestão de uma deputada do PS para apagar da ata as intervenções dos deputados que pediram a demissão de Ana Abrunhosa entra na antologia da imbecilidade política. Mas não é apenas um pequeno episódio. É uma conversa que apanha o ar do tempo.

A tentação corriqueira no futebol de calar (ou mesmo matar) o mensageiro é prima desta doença política, típica das maiorias absolutas, de manipular os factos, reescrevendo a realidade, revelando uma relação de relatividade absoluta com a verdade, no fundo, limitando ou acabando mesmo com o debate e o antagonismo. O caso dos subsídios que envolve a ministra é grave. Não chega ter um parecer da Procuradoria-Geral da República a dizer que a lei é omissa na matéria, portanto, nada obsta.

A credibilidade política ganha-se com a verdade, a responsabilidade, a ética e a transparência, não apenas com a lei. A ministra deve explicar se as empresas do marido foram beneficiadas pelo seu conhecimento das regras ou informação privilegiada. Mas é a deputada Isabel Guerreiro que, para já, envergonha o PS e o Parlamento. É ela que mancha o quadro democrático. É ela que não merece estar ali.
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