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Correio da Manhã

Opinião
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A vez das pessoas

O caminho que Marcelo antevê "trabalhoso" não esqueceu quase nada.
Alfredo Leite(alfredoleite@cmjornal.pt) 15 de Abril de 2021 às 00:32
O Presidente da República repetiu ontem o desejo formulado no passado fim de semana para que o estado de emergência agora renovado seja o último. Foi o primeiro de dois recados de Marcelo Rebelo de Sousa ao Governo de António Costa. O outro foi fixar 2021 como o ano da "reconstrução social" do país, depois de um 2020 "da luta pela vida".
O Presidente da República optou por considerar, nos seis minutos televisionados, que mais complicado que os números depauperados da economia é a situação das pessoas.
Ou seja, um futuro baseado na reconstrução social do país, abalado pelas "solidões dramáticas" dos idosos ou pelos estudantes obrigados a "digerir tantos choques". O caminho que Marcelo antevê "trabalhoso" não esqueceu quase nada. Nem a vacinação intermitente que já está, ainda assim, a proteger os mais vulneráveis, nem o confinamento regionalizado, se for necessário. Faltou ao Presidente da República dizer aos portugueses que sem estado de emergência nenhuma medida para controlar a pandemia neste tempo difícil de desconfinamento pode cair na tentação de implicar restrições inconstitucionais de quaisquer direitos.
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