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Correio da Manhã

Opinião
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Inferno Pedófilo

O que se sabe até agora pode não ser mais do que a ponta de um iceberg.
Paulo João Santos 8 de Outubro de 2021 às 00:32
O número de casos de abuso sexual de crianças em instituições católicas francesas, 216 mil, impressiona, mas não surpreende. Há anos que havia relatos deste inferno pedófilo por todo o Mundo. Crimes que a Igreja calou, silenciou, minimizou.

Muitas vítimas já morreram, outras sofrem em silêncio. Só as que denunciaram, voluntariamente, o terror vivido às mãos de padres e bispos entraram nas contas. O que se sabe até agora pode não ser mais do que a ponta de um iceberg.

Francisco diz-se triste e envergonhado com a dimensão da tragédia. Pediu perdão, prometeu ação. Mas isso não o iliba de responsabilidades. Bergoglio sucedeu a Bento XVI em 2013, numa altura em que as denúncias de pedofilia no seio da Igreja católica eram generalizadas. Mas só agiu em 2019, com a criação de comissões diocesanas destinadas a receber, analisar e encaminhar testemunhos. Coisa pouca, e só surgiu por força da desastrosa visita ao Chile, em 2018, onde foi confrontado com o problema como nunca o tinha sido. Afirmou, como agora, estar triste e envergonhado. Pediu, como agora, perdão. E continuará a lamentar e a pedir perdão. Esta cruz é demasiado pesada para o Papa argentino.
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