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Correio da Manhã

Opinião
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O metaverso de Bolsonaro

Jair Bolsonaro tem razões para temer o ‘apedrejamento’ internacional.
Alfredo Leite(alfredoleite@cmjornal.pt) 4 de Novembro de 2021 às 00:32
Temendo uma metafórica lapidação à moda saudita o presidente do Brasil resolveu faltar à COP26, em Glasgow. Jair Bolsonaro tem razões para temer o ‘apedrejamento’ internacional.

As queimadas e desflorestamentos selvagens na Amazónia continuam a crescer, o que levou o Brasil à façanha de ser, entre os grandes poluidores mundiais, o único que aumentou as emissão de gases no primeiro ano da pandemia. É obra! Com uma mensagem de vídeo aos participantes, Bolsonaro em modo metaverso desmentiu o seu próprio discurso e decidiu que o Brasil iria aumentar de 43% para 50% o compromisso de redução de emissões de carbono até 2030 e, assim, acompanhar os compromissos internacionais. Só que a aparente boa vontade brasileira é falsa. As cifras de Bolsonaro são um malabarismo matemático que não avança um milímetro em relação aos compromissos assumidos anteriormente por Dilma Rousseff em Paris. Só assim se percebe que enquanto Biden, Merkel ou Johnson estavam em Glasgow, Bolsonaro passeava em Itália, berço dos seus antepassados. Ausente, não evitou só a ‘pedrada’. Fugiu igualmente ao ridículo que o caracteriza.
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