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Correio da Manhã

Opinião
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O novo ataque dos impostos

Orçamento castiga consumo a crédito, fumadores e automobilistas.
Armando Esteves Pereira(armandoestevespereira@cmjornal.pt) 23 de Janeiro de 2016 às 00:30
Bolacha Editorial CM
Bolacha Editorial CM FOTO: Nuno Costa
Sempre que um político deste país fala em baixa de impostos, costumo fazer contas e não acredito na promessa. Infelizmente, a realidade tem-me dado razão e este Governo, que promete milhões para as famílias e até desagrava a sobretaxa, ataca barbaramente os impostos indiretos. Pagam os vícios, como o tabaco, mas também o consumo a crédito com o Imposto de Selo e os automobilistas com o agravamento fiscal da gasolina e do gasóleo.

Nos próximos meses, a carga fiscal nos combustíveis não terá um impacto significativo por causa da baixa do preço do petróleo. Mas provavelmente em poucos anos o crude voltará aos 50, 60 ou 70 dólares por barril e aí este aumento que acrescenta a outras taxas e taxinhas que já incidem sobre a gasolina e o gasóleo vai notar-se no bolso dos automobilistas e na fatura das empresas. Quase 70 por cento de um depósito de gasolina já é receita fiscal.

Há também um conjunto de boas intenções no orçamento que acabam por ter efeitos contraditórios com o fim a que se destinam, como a baixa da TSU para os salários inferiores a 600 euros. Uma medida aparentemente solidária, mas que dá um mau sinal. Ao premiar salários baixos à conta das receitas da Segurança Social, o Estado está a incentivar ordenados mínimos. A intenção é boa, o resultado é desastroso.

Leia o Dossiê Orçamento no Seu Bolso, que deu origem a esta Nota Editorial: Imposto sobe gasolina e gasóleo
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