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Correio da Manhã

Opinião

Perder a razão

Condenar invasão russa não pode justificar ligeireza ucraniana.
Alfredo Leite(alfredoleite@cmjornal.pt) 4 de Maio de 2022 às 00:32
O embaixador da Ucrânia na Alemanha decidiu apelar esta semana à realização de uma greve de estivadores alemães para impedir a descarga do ‘Advantage Point’, atracado no porto de Rostock com produtos petrolíferos e químicos russos.

Em Portugal, onde a embaixadora de Volodymyr Zelensky desfilou no 25 de Abril integrada na marcha de um partido político, o representante de uma associação de ucranianos acha legítimo questionar porque é que o nosso país "continua a ter o PCP".

Quando, ao arrepio da ética diplomática, um embaixador decide imiscuir-se nos assuntos do país onde está colocado ou um dirigente associativo imigrante defende a ilegalização de um partido legítimo representante de uma fatia da sociedade que o acolheu, algo está errado no denominador comum ucraniano.

A condenação firme que a infame invasão russa da Ucrânia merece não pode justificar a ligeireza com que respeitáveis cidadãos ucranianos tentam condicionar democracias – como a portuguesa ou a alemã – bem mais sólidas e de livre expressão que aquela que se constrói em Kiev. Ainda longe, convém não esquecer, de ser imaculada.
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