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Correio da Manhã

Opinião
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Política e moral

Parlamento tem de assumir todas as suas responsabilidades num caso que envergonha Portugal.
Eduardo Dâmaso(eduardodamaso@sabado.cofina.pt) 11 de Maio de 2022 às 00:31
A realização de buscas na Câmara de Setúbal e na associação do casal russo pró-Putin, que recebeu refugiados ucranianos de forma hostil, deu uma dimensão judicial a este caso. Na verdade, os indícios de que não foi respeitada a proteção de dados são evidentes. Mas não há de ser esta via pelo direito penal que trará uma solução.

A questão é política e moral desde o princípio. E não só em relação à Câmara de Setúbal, onde pontifica um presidente que, manifestamente, não tem grande cultura democrática. Se não percebe que tem de dar informação e respostas na Assembleia Municipal, o que pensará ser a democracia? Mas a posição do Governo e do PS também não é esclarecedora. Se o SIS ‘acompanha’ desde 2014 uma tentativa de infiltração russa em organismos do Estado, não se compreende que, em 2022, o dito casal ainda esteja ao serviço de uma autarquia a receber refugiados da Ucrânia. Também não se compreende o ‘poncio pilatismo’ do PS no Parlamento. Quer averiguar mas não sabe como.

Seja qual for a figura regimental usada, o Parlamento tem de assumir todas as suas responsabilidades num caso que envergonha Portugal.
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