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Correio da Manhã

Opinião
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Regime em risco

O atual regime constitucional vai seguramente durar mais tempo do que o Estado Novo, mas sofre várias ameaças.
Armando Esteves Pereira(armandoestevespereira@cmjornal.pt) 26 de Abril de 2021 às 00:32
A maioria dos cidadãos portugueses já nasceu depois de 25 de Abril de 1974 e as memórias do PREC revisitadas nesta efeméride já são distantes, como eram as narrativas sobre a II Guerra Mundial no início da década de 1990.

Mas importa sempre celebrar o dia “inicial inteiro e limpo” desencadeado por um golpe corporativo da classe média de oficiais das forças armadas, que se tornou imediatamente numa revolução política e social que abriu portas para uma democracia constitucional.

Quando as tropas de Salgueiro Maia chegaram a Lisboa, quase ninguém defendeu o regime do Estado Novo que em maio iria celebrar o seu 48 aniversário. Mas em 1926, a maioria do País também não chorou o fim do regime republicano e olhou com algum alívio para o golpe militar iniciado em Braga.

Também a monarquia em 1910 caiu e nem os monárquicos a defenderam, com exceção de Paiva Couceiro.

O atual regime constitucional vai seguramente durar mais tempo do que o Estado Novo, mas sofre várias ameaças.

Um país que em termos económicos persiste em ser dos mais pobres da Europa, capturado por detentores de rendas e privilégios, que deixa crimes de corrupção impunes, arrisca a ser campo fértil para crescimento dos inimigos da democracia.

E se não houver mais riqueza, justiça e equidade, a democracia conquistada corre sérios riscos. 

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