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Correio da Manhã

Política
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António Costa vai responder por escrito a 100 perguntas da defesa de Azeredo Lopes

Informação foi prestada pelo juiz na sessão da fase de instrução do processo sobre o furto das armas.
Lusa 27 de Janeiro de 2020 às 15:36
O primeiro-ministro, António Costa, quer responder ao juiz por escrito
O primeiro-ministro, António Costa, quer responder ao juiz por escrito FOTO: Lusa
O primeiro-ministro, António Costa, vai responder por escrito na qualidade de testemunha do ex-ministro da Defesa e arguido do caso de Tancos Azeredo Lopes, por decisão do juiz Carlos Alexandre que lhe formulou 100 perguntas.

A informação foi prestada pelo juiz na sessão desta segunda-feira da fase de instrução do processo sobre o furto e o achamento das armas dos paióis de Tancos e confirmada por um dos advogados de defesa à agência Lusa.

A mesma fonte adiantou que o primeiro-ministro tem agora um prazo de 10 dias para responder às 100 perguntas formuladas pelo juiz, as quais poderão, posteriormente, suscitar pedidos de esclarecimento dos advogados e do Ministério Público.

O juiz Carlos Alexandre aceitou que o depoimento de António Costa fosse prestado por escrito, tal como tinha sido autorizado pelo Conselho de Estado, depois de ter insistido na importância em ouvir presencialmente o primeiro-ministro.

O juiz pergunta ao primeiro-ministro quando e através de quem teve conhecimento do assalto e questiona-o se o assalto aos Paióis Nacionais de Tancos (PNT) foi tema de conversa com Marcelo Rebelo de Sousa.

Carlos Alexandre quer saber quando foi a primeira vez que o primeiro-ministro falou com Azeredo Lopes e com o então chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas (Rovisco Duarte) sobre o furto do armamento e se o assunto também foi abordado em conversas tidas com o à data diretor da Polícia Judiciária Militar (PJM) e arguido Luís Vieira, com o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, e com a secretária-geral do Sistema de Segurança Interna, Helena Fazenda.

No início de janeiro, o magistrado mostrou o seu desagrado por António Costa ter pedido ao Conselho de Estado para depor por escrito como testemunha do seu ex-ministro da Defesa, alegando dificuldades em "formular questões, sub-hipóteses, explicações e introitos".

Em resposta, o advogado de defesa do antigo ministro, Germano Marques da Silva, ponderou prescindir da inquirição do primeiro-ministro, pedindo, em contrapartida, para que fosse junto ao processo o "depoimento do primeiro-ministro prestado na Comissão Parlamentar de Inquérito ao caso sobre as consequências e responsabilidades políticas do furto do material militar ocorrido em Tancos.

O processo de Tancos tem 23 acusados, incluindo o ex-diretor nacional da Polícia Judiciária Militar (PJM) Luís Vieira, que já foi inquirido nesta fase, o ex-porta-voz da PJM Vasco Brazão e o ex-fuzileiro João Paulino, apontado como cabecilha do furto das armas, que respondem por um conjunto de crimes que incluem terrorismo, associação criminosa, denegação de justiça e prevaricação, falsificação de documentos, tráfico de influência, abuso de poder, recetação e detenção de arma proibida.

O caso do furto das armas foi divulgado pelo Exército em 29 de junho de 2017 com a indicação de que ocorrera no dia anterior, tendo a alegada recuperação do material de guerra ocorrido na região da Chamusca, Santarém, em outubro de 2017, numa operação que envolveu a PJM, em colaboração com elementos da GNR de Loulé.

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