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Política
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Assembleia da República aprova voto de pesar pela morte de Otelo Saraiva de Carvalho

Militar morreu na madrugada de 25 de julho aos 84 anos, no Hospital Militar, em Lisboa.
Lusa 17 de Setembro de 2021 às 16:03
Parlamento
Parlamento FOTO: Pedro Catarino/Correio da Manhã
O parlamento aprovou esta sexta-feira um voto de pesar pela morte do militar e estratego do 25 de abril, Otelo Saraiva de Carvalho, numa votação que contou com votos contra de CDS, Chega e IL e dividiu o PSD.

O voto, apresentado presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, foi aprovado esta sexta-feira em sessão plenária, no parlamento.

Votaram contra CDS-PP, Chega e Iniciativa Liberal, 12 deputados do PSD e ainda a deputada socialista Lara Martinho. A votação, que dividiu por completo a bancada social-democrata, contou ainda com 32 abstencionistas.

A favor votaram PS, 16 deputados do PSD, BE, PCP, PAN, PEV e as duas deputadas não inscritas, Cristina Rodrigues (ex-PAN) e Joacine Katar Moreira (ex-Livre).

Otelo Saraiva de Carvalho morreu na madrugada de 25 de julho aos 84 anos, no Hospital Militar, em Lisboa.

"Não desconhecendo os vários momentos da vida de Otelo que o tornaram uma personagem contraditória, divisiva e não consensual, na altura do seu desaparecimento cumpre, sobretudo, prestar homenagem ao herói de Abril, ao corajoso capitão operacional do movimento militar de 25 de Abril de 1974, e que a Assembleia da República, através do presente voto, recorda, manifestando a gratidão do povo português - que aqui está representado - pelo decisivo papel que assumiu naquele que será sempre celebrado como o inolvidável Dia da Liberdade", lê-se na iniciativa.

No texto é ainda sublinhado que Otelo "foi responsável pelo setor operacional da Comissão Coordenadora do MFA, desenhando as operações militares que acabaram com o cerco ao Largo do Carmo, em Lisboa"

"Neste papel, foi absolutamente decisivo no desfecho da operação, no comando dos heroicos capitães de Abril, sendo, a par do sempre saudoso Salgueiro Maia, no imaginário coletivo português, um dos rostos mais facilmente associáveis ao dia libertador do País. Portugal e os portugueses devem a Otelo Saraiva de Carvalho, e aos seus camaradas do Movimento dos Capitães, a conquista da Liberdade", lê-se.

Durante a manhã de votações foram ainda aprovados, desta feita por unanimidade, vários votos de pesar.

O CDS-PP apresentou um projeto de pesar pelo falecimento de António Norton de Matos, fundador do partido e também deputado à Assembleia Constituinte, que morreu a 22 de julho aos 86 anos.

"António Norton de Matos era um homem de fortes convicções, e um exemplo para quantos com ele privaram", vincam os centristas na iniciativa.

Também o PS apresentou um voto pela morte de Afonso Abrantes, ex-deputado e antigo autarca socialista que morreu a 04 de agosto aos 76 anos.

No texto os socialistas recordam o seu percurso de vida, referindo que, "na qualidade de militante do Partido Socialista, Afonso Abrantes desempenhou diversos cargos partidários, destacando-se o de Presidente da Comissão Política de Mortágua, de Presidente da Comissão Política Distrital de Viseu e membro da Comissão Nacional", prestando homenagem à memória do professor e político.

O PCP apresentou também um projeto de pesar pela morte do antigo presidente da câmara de Beja e militante do PCP desde 1974, José Manuel Carreira Marques, que morreu a 06 de agosto aos 77 anos.

"Carreira Marques, homem de Abril e da cultura, empenhado em diferentes tarefas e responsabilidades assumidas ao longo da vida, deu um enorme contributo ao serviço do município e da região, permitindo a Beja crescer e desenvolver-se nas mais diversas áreas. (...) A melhor forma de honrar a memória e a vida de Carreira Marques será a de dar continuidade aos valores e ideais pelos quais lutou toda a sua vida", escrevem na iniciativa.

Também por unanimidade, o parlamento aprovou um voto de pesar apresentado pelo presidente do parlamento, Ferro Rodrigues, pela morte de Acácio Catarino, antigo presidente da Cáritas Portuguesa.

O texto enaltece que ao longo do seu percurso, e em todas as responsabilidades que assumiu, Acácio Catarino "deixou a marca da sua sensibilidade e pensamento humanista, bem como da empenhada defesa dos direitos humanos".

"Movido por uma dedicação à causa do bem comum e da justiça social, Acácio Catarino foi um defensor da nova geração de políticas sociais na segunda metade dos anos 90, tendo, neste plano, dado um contributo muito importante no lançamento do Rendimento Mínimo Garantido", é acrescentado.

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