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Correio da Manhã

Política
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BE diz que país não está na "silly season" e considera isolamento de Costa um "não assunto"

"A saúde pública não ter gente suficiente preocupa-me muito mais", afirmou Catarina Martins.
Lusa 5 de Julho de 2021 às 18:47
Catarina Martins
Catarina Martins FOTO: Lusa
A coordenadora do Bloco de Esquerda (BE), Catarina Martins, considerou hoje um "não assunto" as dúvidas acerca do isolamento profilático a que o primeiro-ministro António Costa foi sujeito e defendeu que o país não está na "silly season".

"A saúde pública não ter gente suficiente preocupa-me muito mais. Se vamos falar de responsabilidade política vamos falar de temas sérios. (...) Eu julgo que quem está em casa ver este tipo de debate ficará confuso. Se nós estamos realmente num momento complicado do país ou se estamos em plena na 'silly season'. Não estamos", afirmou, em declarações aos jornalistas à margem de um encontro, no Porto, com trabalhadores da Altice em risco de perder os postos de trabalho.

Para a líder do BE, há debates que abrem os telejornais cuja pertinência não percebe, sobretudo quando a responsabilidade política dos responsáveis é a de garantir que há equipas de saúde pública que fazer rastreios atempados, que as indicações são compreendidas pela população e que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) tem "a força que deve ter".

"O resto, muito sinceramente, parece-me uma absoluta irresponsabilidade e uma inutilidade", observou.

Sublinhando que toda a gente deve respeitar as indicações das autoridades de saúde, independentemente do cargo que ocupa, Catarina Martins mostrou-se mais preocupada com a falta de recursos humanos para fazer face à pandemia de covid-19, cujo reforço tem vindo a defender.

"A mim não me levantou dúvida nenhuma e acho que é um não assunto. Acho que o assunto é saber como é que a responsabilidade política está a responder à pandemia. A saúde publica tem gente suficiente? Não tem", disse.

O presidente do PSD considerou hoje que as autoridades de saúde devem clarificar as regras relativas à covid-19, sublinhando que ninguém compreendeu porque é que o primeiro-ministro teve de ficar em isolamento profilático embora tenha a vacinação completa.

O primeiro-ministro, António Costa, retomou hoje a atividade presencial e a agenda pública após ter realizado um novo teste PCR determinado pelas autoridades de saúde, com resultado negativo, anunciou o seu gabinete.

"Após a realização de novo teste PCR determinado pelas autoridades de saúde e tendo o resultado do mesmo sido, novamente, negativo, as autoridades de saúde autorizaram o retomar da atividade presencial do primeiro-ministro e, como tal, da sua agenda pública", refere uma nota do gabinete de António Costa.

O primeiro-ministro esteve desde quarta-feira passada a cumprir um período de confinamento profilático determinado pelas autoridades de saúde após ter estado em contacto com um membro do gabinete que testou positivo à covid-19.

António Costa não teve sintomas e manteve a atividade à distância.

Na altura, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, questionou o isolamento profilático que o primeiro-ministro tem de cumprir, dado que António Costa já recebeu a vacina contra a covid-19.

O chefe de Estado considerou que as autoridades de saúde deveriam esclarecer a situação aos portugueses.

Ao jornal Expresso, a DGS disse trata-se do "princípio da precaução em Saúde Pública".

"No atual momento epidemiológico, de acordo com a Norma 015/2020 e 019/2020 da Direção-Geral da Saúde, as pessoas vacinadas são abordadas, no que diz respeito ao isolamento e testagem, respetivamente, da mesma forma que as pessoas não vacinadas", indicou a direção-geral em resposta àquele semanário.

A autoridade de saúde nacional admite, no entanto, alterar a norma e pondera até fazê-lo: "Esta matéria encontra-se presentemente em discussão e poderá ser atualizada com base na evolução da evidência científica e se a situação epidemiológica assim o suportar".

Já hoje, o primeiro-ministro explicou que seguiu orientações da Direção-Geral da Saúde (DGS) e ressalvou que estar vacinado não garante uma proteção em 100%.

"Se me está a perguntar se eu fiquei feliz por ficar mais 10 dias confinado? claro que não fiquei feliz. Se percebo? Percebo qual é o racional. As vacinas garantem uma proteção, mas não garantem uma proteção a 100%. Ou seja, há uma pequena percentagem de pessoas que a vacina não protege", explicou.

Por esse motivo, sublinhou António Costa, "as autoridades têm de garantir" esse afastamento preventivo.

A pandemia de covid-19 provocou pelo menos 3.980.935 mortos em todo o mundo, resultantes de mais de 183,7 milhões de casos de infeção pelo novo coronavírus, segundo o balanço mais recente feito pela agência France-Presse.

Em Portugal, desde o início da pandemia, em março de 2020, morreram 17.117 pessoas e foram registados 890.571 casos de infeção, de acordo com a Direção-Geral da Saúde.

 

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