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Correio da Manhã

Política
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BE pede reforço do SNS para que consultas e cirurgias desmarcadas não vão para privados

Durante a crise sanitária, "o País aprendeu que não se pode contar com o setor privado de saúde".
Lusa 19 de Abril de 2020 às 15:38
Moisés Ferreira , do BE
Moisés Ferreira , do BE FOTO: Bruno Simão
O BE defendeu este domingo o reforço do Serviço Nacional de Saúde (SNS) para que seja retomada a atividade programada que foi desmarcada durante a pandemia da covid-19, rejeitando que cirurgias e consultas sejam convencionadas com os grupos privados.

Numa declaração publicada nas redes sociais, o deputado do Bloco de Esquerda (BE) Moisés Ferreira afirmou que, durante a crise sanitária, "o país aprendeu que não se pode contar com o setor privado de saúde".

"Alguns decidiram encerrar portas e, portanto, negar cuidados de saúde, outros disseram que só tratavam doentes se fossem mesmo muito bem pagos para isso", criticou.

Moisés Ferreira defendeu que, "agora que a epidemia parece estar controlada do ponto vista sanitário, é preciso retomar muita da atividade programada que foi desmarcada".

"Há muitas consultas de especialidade para fazer, há muitas cirurgias para retomar e aquilo que nós aprendemos é que deve ser o Serviço Nacional de Saúde (SNS) a fazer tudo isso", defendeu.

No entanto, o deputado antecipa que, nos próximos tempos, "existirão muitas pressões por parte dos grupos económicos que operam na área da saúde para que toda esta atividade programada seja convencionada e para que o SNS pague muitos milhões de euros para que os privados possam fazer esta atividade".

"Aquilo que nós aprendemos é que a saúde não pode ser um negócio, e a saúde não pode estar nas mãos dos privados (...) O futuro em Portugal só pode ser o do reforço do SNS para retomar toda a atividade que foi desmarcada e para garantir que todas as pessoas têm acesso aos cuidados de saúde de que necessitam", apelou.

O deputado bloquista repudiou ainda as declarações da presidente da Comissão Executiva da Luz Saúde, Isabel Vaz, que criticou a falta de preparação de muitas unidades públicas, em particular nos cuidados intensivos, em declarações ao Expresso.

"Ela e os grupos económicos que ela representa falharam à população e por isso não podem agora vir criticar o Serviço Nacional de Saúde e os seus profissionais que estiveram lá todos os dias, no terreno, a apoiar a população", acrescenta o deputado.

A nível global, a pandemia de covid-19 já provocou mais de 160 mil mortos e infetou mais de 2,3 milhões de pessoas em 193 países e territórios. Mais de 518 mil doentes foram considerados curados.

Em Portugal, morreram 714 pessoas das 20.206 registadas como infetadas.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

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