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Correio da Manhã

Política
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Catarina Martins afirma que Governo "talvez queira" uma crise política

Coordenadora do BE acusou o PS de não querer uma solução para o Orçamento do Estado.
Lusa 26 de Outubro de 2021 às 11:50
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Catarina Martins diz que não houve qualquer contacto com o governo após reunião do Conselho de Ministros

A coordenadora do BE, Catarina Martins, acusou esta terça-feira o PS de não querer uma solução para o Orçamento do Estado, considerando que o Governo "talvez queira" uma crise política e eleições antecipadas, o que será "uma tremenda irresponsabilidade".

"Porque é que o Governo diz que não a propostas tão sensatas, tão ponderadas, tão fundamentais? O Governo quer uma crise política? Talvez queira. É de uma enorme irresponsabilidade", respondeu aos jornalistas Catarina Martins a propósito do impasse no Orçamento do Estado para 2022 (OE2022), à margem da manifestação pelo direitos e regulamentação do Estatuto do Cuidador Informal que decorre hoje em frente ao parlamento, em Lisboa.

A líder do BE disse não compreender "porque é que o PS não quer uma solução para este Orçamento do Estado".

"Eu não consigo compreender qual é a estratégia do Governo, a não ser querer eleições antecipadas e eu acho isso de uma tremenda irresponsabilidade, mas o Bloco de Esquerda aqui está hoje, amanhã, em todos os dias, para construir soluções", criticou.

Independentemente da posição do Governo do PS, Catarina Martins tem uma certeza: "Há muitos socialistas neste país que também querem soluções".

Depois de o partido ter anunciado no domingo que voltará a votar contra o orçamento caso não haja avanços até quarta-feira, a coordenadora bloquista garantiu que a situação atual resulta de "falta de vontade do Bloco de Esquerda", deixando outra pergunta: "Alguém compreende que o PS, que sempre foi contra os cortes nas indemnizações por despedimento, agora seja contra repor?".

"O BE está a propor em muitos casos aquilo que foram propostas de sempre do PS. Alguém compreende porque é que o PS recusa as suas próprias propostas anteriores?", criticou ainda.

Questionada sobre se já houve algum contacto por parte do Governo depois de segunda-feira - dia em que foi conhecido o voto contra do PCP, que determinará o chumbo do OE2022 já na generalidade - Catarina Martins respondeu que não houve nenhum.

"Achamos uma perfeita irresponsabilidade que não haja vontade neste momento para construir uma solução de Orçamento do Estado para o país, não uma solução de faz de conta, mas uma solução real. As pessoas não suportam mais anúncios, precisam sim de soluções concretas", insistiu.

Reiterando que o "Governo tem fechado a porta a todas as propostas" que o BE levou para mesa das negociações, a coordenadora bloquista defendeu que não se pode pedir ao partido "que esqueça o seu mandato" e "vote um documento que não resolve nenhum problema".

"E o Governo pode anunciar o que quiser, mas há uma prova dos nove: ou está na lei a solução ou se não está, será mais uma vez um engano", sublinhou.

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