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Correio da Manhã

Política
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Cavaco fica retido em Praga mas mantém bom humor

O fecho de praticamente todo o espaço aéreo europeu devido às cinzas de um vulcão na Islândia obrigou o Presidente da República e respectiva comitiva (num total 102 pessoas, incluindo quatro deputados, do PSD, PS, CDS e PCP) a permanecer, pelo menos por mais um dia, em Praga. Mas tal não foi suficiente para perturbar o curso normal da primeira visita de Estado de Estado à República Checa ou, sequer, influenciar o seu estado de humor.
16 de Abril de 2010 às 19:08
Cavaco Silva a caminho de Lisboa
Cavaco Silva a caminho de Lisboa FOTO: d.r.

O dia de Cavaco Silva começou pelas 9 horas da manhã com  a inauguração, no Hotel Hilton Old Town, de um seminário empresarial,  em que esteve também presente o Presidente checo, Vaclav Claus.Ao contrário de quinta-feira, o dia ontem esteve limpo e a temperatura mais amena. Contudo, os rumores de que o aeroporto de Stará Ruzyne, em Praga, iria encerrar, permaneciam.

Por volta das 9h30 horas, a assessoria de imprensa da Presidência informou os jornalistas que as autoridades de aviação checa tencionam fechar, a partir das 11 horas, o espaço aéreo e, portanto, o aeroporto. O que, a acontecer, impedia  o Airbus da SATA internacional de levantar voo às 19 horas conforme estava previsto no programa. Foi revelado também que a Presidência ainda considerou a hipótese de regressar a Lisboa antes do fecho do aeroporto, mas tal não foi possível.

Assim sendo, e terminado o seminário empresarial, por volta das 10H, Cavaco Silva foi visitar a Universidade Carolina  no centro da cidade e ver a exposição “Autopsicografia- desassossego da imagem e da palavra” do artista checo Jiri Volves (obras sobre Fernando Pessoa). E foi durante esta exposição que, pela primeira vez, o Presidente se referiu directamente à possibilidade real de ficar retido em Praga. “Temos de arranjar um banco de jardim para dormir esta noite”, disse em tom de graça para a sua mulher, Maria Cavaco Silva, que estava a conversar com os jornalistas sobre obras de escritores portugueses traduzidas para checo. “Mas está muito frio”, responderam os jornalistas ao Presidente, ao que este retorquiu: “Não faz mal, escolhemos um banco que esteja debaixo de uma árvore”.

 

Nesta altura, já tinha sido confirmado que o aeroporto tinha fechado e que o staff do Presidente estava a negociar novos alojamentos para a comitiva e para os jornalistas. Uma certeza foi dada logo: o Presidente continuaria instalado no Hotel Four Seasons. Quanto ao tempo que teria de permanecer em Praga, se 24 ou 48 horas, continuava em aberto. Havia, pois, a esperança de que, a qualquer momento, houvesse autorização para levantar voo.

 

A partir dessa altura, o motivo de conversa era só um: quanto tempo o Presidente ficaria retido em Praga? Quantos aeroportos já fecharam? Há alternativas para o regresso? Mas o programa manteve-se, com uma visita ao Mosteiro de Strahov, onde o Presidente pôde ver pinturas sacras dos mestres flamengos e livros muito antigos e raros.  O passo seguinte foi um encontro com o primeiro-ministro checo, Jan Fisher, no Palácio Hrzansky, sede do Governo, junto ao Castelo de Praga. Depois do almoço, o Cavaco Silva regressou ao seu Hotel para prestar declarações aos jornalistas. E foi nessa altura que revelou, mais uma vez, o seu sentido de humor:” Um país muito pequeno [a Islândia], que a imprensa económica diz estar quase falido, está a mostrar a sua força à Europa condicionando todo o espaço aéreo”.

 

O Presidente não mostrava estar aborrecido com toda a situação, parecia antes bem disposto e até algo esperançado: “Estamos em contacto com as autoridades checas e a Força Aérea Portuguesa, as quais estão a observar os aeroportos vizinhos, como os de Viena,  Franqueforte, e já soubemos que o de Munique abriu. Neste momento, existem apenas hipóteses”. Disse também que esperava que não se confirmasse o que leu num telex que dizia que estas coisas podem demorar uma semana...

 

Os jornalistas perguntaram então ao Presidente como estava a lidar com a situação. Ao que ele respondeu: “Eu estou a lidar bem porque confio nas pessoas que estão a tratar bem do assunto. Temos de encarar isto com descontracção”.

 

Questionado sobre qual foi a primeira coisa que fez quando soube do encerramento do aeroporto, o Presidente respondeu que foi “saber se tinha alojamento no Hotel”. No final do encontro com os jornalistas, Cavaco Silva encerrou a questão, dizendo: “Felizmente estamos nas mãos de Bruxelas, no eurocontrolo. Nós confiamos na burocracia de Bruxelas”. 

 

Até ao fim do dia, o Presidente fez questão de cumprir o seu programa: Visitou o Memorial Nacional Vitkov,  o Museu Nacional, e esteve na recepção em honra da comunidade portuguesa residente na República Checa. Cavaco Silva foi ainda visitar,  já fora do programa, a Praça Venceslau, palco da Primavera de Praga, em 1968.

 

Finalmente,  às 19h30, todas as indecisões foram desfeitas: o Presidente ficaria a dormir no hotel. e hoje, pelas 8 horas, far-se-ia nova avaliação da situação.

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