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Correio da Manhã

Política
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Cavaco Silva: “Temos de ser mais ambiciosos”

O Presidente da República considerou esta quinta-feira, em Praga, que, no campo económico, as relações com a República Checa “estão aquém das excelentes relações políticas, daí a presença de uma delegação de cerca de 40 empresários portugueses que sexta-feira participam num seminário económico.”
15 de Abril de 2010 às 12:52
Cavaco Silva e Vaclav Klaus
Cavaco Silva e Vaclav Klaus FOTO: Miguel A.Lopes/Lusa

No final de um encontro com o seu homólogo checo, Vaclav Klaus, que decorreu no Castelo de Praga e que durou mais de uma hora, Cavaco Silva lançou um apelo: “Nós, portugueses, temos de ser mais ambiciosos na área económica”, tendo em vista a penetração na Europa Central e de Leste”.

Já o Presidente checo, sempre muito frontal e directo, considerou “inimaginável que possa haver défices como os registados em alguns países da União Europeia (UE)”. Vaclav Klaus não referiu nenhum em particular, mas, certamente, estaria a pensar nos défices da Grécia, Irlanda, Espanha, e mesmo Portugal. “Eu, como ministro das Finanças e como primeiro-ministro (Klaus, tal como Cavaco, já foi ministro das Finanças e primeiro-ministro) não admitiria tal défice. Se alguém admitiu, tem agora de enfrentar as consequências”.

Na conferência de imprensa, que durou quase meia hora, o Presidente português revelou que foi abordada a questão dos países que se encontram em maiores dificuldades sobre os défices orçamentais e dívidas públicas. “Neste momento surgiram alguns sinais positivos de recuperação económica, embora ainda tímidos”. Para Cavaco Silva,  a recuperação de Portugal, com uma economia aberta, vai depender do que acontecer nos outros países, e sublinhou, também por isso, a importância da estabilização do problema da Grécia.

O Presidente referiu-se também ao défice da Irlanda, que “se encontra em dificuldades”, e à nossa vizinha Espanha. “Daí a importância que atribuo à solidariedade europeia que foi manifestada à Grécia”, declarou Cavaco Silva.

Um dos momentos mais significativos da conferência de imprensa, na medida em que revelou o pensamento do Presidente checo sobre a União Europeia, foram as suas declarações sobre a polémica assinatura do Tratado de Lisboa em Novembro do ano passado. Questionado sobre se ainda mantinha uma atitude negativa sobre o Tratado, Vaclav Klaus reconheceu que, apesar de o ter assinado, a sua opinião não mudou. Disse, por exemplo, que era “um problema aceitar e aplicar tudo o que estava no Tratado de Lisboa” . E foi mais longe: “A UE tornou-se mais capaz e com mais acção depois do tratado de Lisboa? O défice democrático da UE não diminuiu, pelo contrário, aumentou!”

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