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Correio da Manhã

Política
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Chega propõe comissão independente para analisar incêndio na Serra da Estrela

Para o partido, este incêndio "está na origem de uma das maiores catástrofes naturais que ocorreram nos últimos anos" no País.
Lusa 17 de Agosto de 2022 às 12:41
Incêndio na Serra da Estrela
Incêndio na Serra da Estrela FOTO: CMTV
O Chega propõe a criação de uma comissão técnica independente para analisar o incêndio que lavra na serra da Estrela há mais de uma semana, considerando necessário "apurar causas, encontrar medidas preventivas e melhorar procedimentos operacionais".

O partido entregou na Assembleia da República um projeto de resolução (iniciativa sem força de lei) no qual recomenda "que seja criada uma comissão técnica independente para analisar o incêndio que teve origem na Covilhã e que consumiu parte substancial do Parque Natural da Serra da Estrela, uma área natural protegida e classificada pela UNESCO, e portanto, Património da Humanidade".

Para o partido de extrema-direita, este incêndio, que deflagrou no dia 06 de agosto no concelho da Covilhã, "está na origem de uma das maiores catástrofes naturais que ocorreram nos últimos anos" em Portugal.

"Tal como em 2017, após a tragédia provocada pelos incêndios de Pedrógão Grande e de Góis, que tiveram como consequência um enorme conjunto de vítimas mortais, também agora, perante aquele que já é considerado o 'pior incêndio de sempre num parque natural português', importa apurar causas, encontrar medidas preventivas e melhorar procedimentos operacionais para que situações idênticas não voltem a ocorrer", defende o Chega na iniciativa à qual a agência Lusa teve acesso.

O partido de extrema-direita deixa várias questões que quer ver respondidas: "Como é que cinco anos depois dos grandes incêndios de junho e outubro de 2017, ocorreu mais uma vez em Portugal uma tragédia destas dimensões, num parque natural? Que condições propiciaram o deflagrar das chamas? Existiam indícios meteorológicos ou outros que prenunciassem esta situação? Poderia o incêndio ter sido detetado com maior antecedência? O ataque inicial foi o mais adequado? A coordenação do ataque foi eficaz? O quê que deve e tem de ser feito para evitar que incêndios desta dimensão voltem a ocorrer?"

"Desta forma, tendo em conta a dimensão e a gravidade desta ocorrência, em particular, face à importância da área protegida que ardeu, torna-se mais uma vez de grande valia, tal como ocorreu em 2017, a criação de uma comissão técnica constituída por peritos independentes, a funcionar junto da Assembleia da República, capaz de responder, de forma imparcial e objetiva, a estas e a outras questões consideradas relevantes e de propor soluções que evitem futuras situações análogas", salienta o Chega.

Em comunicado, o partido aponta que o incêndio na serra da Estrela "foi elucidativo da falta de coordenação, de estratégia e da ineficiência dos meios utilizados pelo Governo no combate aos fogos em 2022" e considera que "esta desorientação governativa tem de ser investigada e tem de ter consequências políticas e institucionais".

"O Governo anunciou entretanto que a investigação ficará a cargo da Comissão para a Gestão de Fogos Rurais. Esta entidade não oferece, na perspetiva do Chega, as necessárias garantias de imparcialidade e objetividade requeridas para uma investigação completa neste assunto tão relevante", critica ainda.

O jornal Público adiantou, na edição de terça-feira, que os grandes incêndios deste ano serão investigados pela Comissão Nacional para a Gestão Integrada de Fogos Rurais.

Em declarações à Lusa, o presidente desta entidade, Tiago Oliveira, indicou que esta investigação deve estar concluída em outubro.

O incêndio que lavra na serra da Estrela deflagrou no dia 06 de agosto em Garrocho, no concelho da Covilhã, e foi dado como dominado no sábado, dia 13, mas sofreu uma reativação na segunda-feira.

O fogo atingiu também os concelhos de Manteigas, Gouveia, Guarda e Celorico da Beira, todos no distrito da Guarda.

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