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Política
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Congresso do PSD: O apoio a Rio, as críticas internas e os desafios para o futuro nas palavras de deputados e militantes

Segundo dos três dias de trabalhos vai ser dedicado ao debate e votação da moção de estratégia global do presidente do PSD.
Lusa e Correio da Manhã 8 de Fevereiro de 2020 às 16:09
Congresso do PSD
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O segundo dia do 38.º Congresso do PSD começou este sábado de manhã no Centro Cultural de Viana do Castelo, com menos de metade dos lugares da sala ocupados.

O segundo dos três dias de trabalhos vai ser dedicado ao debate e votação da moção de estratégia global do presidente do PSD, Rui Rio, bem como das 13 propostas setoriais.

As listas aos órgãos nacionais do PSD terão de ser entregues até as 19h00 de hoje, dia em que também se esperam as intervenções dos candidatos derrotados nas últimas diretas, Luís Montenegro e Miguel Pinto Luz. A votação das moções de estratégia global e temáticas está marcada para 23h00.

Ao longo do dia têm sido várias as palavras deixadas por militantes, entre elas a demonstração de apoio a Rui Rio e os desafios que o partido enfrenta no futuro.

Paulo Rangel sobre cíticas internas: "Podem e devem ser feitas", mas "não devem passar imagem negativa" 
O eurodeputado Paulo Rangel considerou este sábado, à chegada ao segundo dia de trabalhos do 38º congresso do PSD, que as "críticas" internas "podem e devem ser feitas", mas "não devem passar uma imagem negativa" do partido.

Questionado pelos jornalistas sobre a referência às "guerrilhas" internas do discurso do presidente do PSD, Rui Rio, na sexta-feira à noite, Paulo Rangel disse ter sido "sensata".

"No fundo, até é um apelo a que as críticas possam e devam ser feitas. Devem ser feitas de uma forma que não passe uma imagem negativa para fora do partido. Isso é uma coisa sensata", referiu Paulo Rangel à chegada ao centro cultural onde decorrem os trabalhos da reunião social-democrata em Viana do Castelo.

Para o eurodeputado do PSD, a "crítica com lealdade faz todo o sentido" durante o congresso.

"Era só o que faltava que tivéssemos um congresso onde não haja alguma divergência. Há pontos onde todos temos visões diferentes. Isso não significa criar a tal conflitualidade interna", afirmou

Questionado sobre uma eventual candidatura aos órgãos nacionais. remeteu uma decisão para as 19h00.

"Isso é para se ver mais logo. Eu já tenho assento no conselho nacional por inerência. Não preciso de ir em lista nenhuma por ser eurodeputado, por estar a chefiar a delegação do PSD no Parlamento Europeu. Às 19h00 veremos isso", declarou.


Fernando Negrão: "O PSD não é de todo um partido populista"
O antigo líder parlamentar social-democrata, Fernando Negrão, considerou "muito importante" a definição ideológica que Rui Rio fez do partido na abertura do congresso, deixando claro que "o PSD não é de todo um partido populista".

Em declarações à agência Lusa durante o 38.º Congresso do PSD, Fernando Negrão disse esperar que "haja união", de uma vez, "para esta altura e para os próximos dois anos", porque há "eleições importantes e o país precisa de um partido de oposição".

"Foi um discurso muito importante porque situou ideologicamente o PSD, e nós temos que olhar para aquilo que são os novos partidos que vão aparecendo e eles são partidos populistas porque não têm definição ideológica. Rui Rio fez ontem muito bem a definição ideológica do PSD. Ficou claro que o PSD não é de todo um partido populista", respondeu, quando questionado sobre o discurso do líder reeleito, Rui Rio.

Morais Sarmento diz que congresso marca "caminho para vencer o país"
O vice-presidente do PSD Nuno Morais Sarmento sublinhou que o 38º congresso do partido deve "marcar o primeiro dia do caminho para vencer o país", apontando como "primeiro desafio" as próximas eleições autárquicas.

Questionado pelos jornalistas, à chegada ao centro cultural onde decorre a reunião social-democrata, sobre as listas aos órgãos do partido, Morais Sarmento desvalorizou o "lugar" que ocupará, afirmando ser "mais importante" a "vontade de continuar a participar" no futuro do partido.

"Depois de dois anos de um caminho difícil dentro do partido, espero que este congresso marque o primeiro dia do caminho para vencer o país, começando pelas próximas eleições autarquias que são desafio fundamental", referiu.

Nesse caminho garantiu estar "disponível" para o que "puder e conseguir" fazer, rejeitando ainda um cenário de rutura com o CDS-PP, na sequência da aprovação do Orçamento de Estado(OE) para 2020 e da votação da descida do IVA da eletricidade.

Na quinta-feira, o presidente do CDS-PP destacou que o partido foi aquele que demonstrou "maior responsabilidade e maturidade política" quanto à redução do IVA da eletricidade, apontando que "cada um tirará as suas ilações" da forma como votou.

"Não há rutura nenhuma porque não havia nenhuma coligação com o CDS-PP como a geringonça. O nosso espaço de entendimento natural é a direta do PSD, mas não temos nenhuma coligação com o CDS-PP", sustentou.

Sobre a intervenção de Rui Rio, na sexta-feira, na abertura do congresso, Morais Sarmento referiu ter sido um discurso "normal, sólido e sério". "Foi um discurso numa linguagem que, apesar de ser dirigida aos militantes, os portugueses percebem bem . É a linguagem da clareza e da simplicidade".


José Eduardo Martins: "Não superámos ainda as circunstâncias que nos fizeram ter o insucesso eleitoral que tivemos"

O ex-deputado do PSD José Eduardo Martins disse este sábado que o partido ainda não superou as circunstâncias responsáveis pelo "insucesso eleitoral grave" das eleições legislativas, defendendo que falta ambição ao objetivo para as autárquicas traçado por Rui Rio.

José Eduardo Martins, antigo secretário de Estado e ex-deputado do PSD, apoiou Miguel Pinto Luz nas diretas do partido e ainda antes de serem conhecidos os resultados eleitorais deixou logo claro que não iria votar caso o candidato que apoiava não passasse à segunda volta.

À chegada ao congresso, o social-democrata, defendeu que "a sociedade portuguesa mudou muito" e que "o problema dos resultados eleitorais desastrosos do PSD não são culpa dos eleitores", mas sim da incapacidade do partido "de perceber essa mudança e de reagir a essa mudança".

"Nós não superámos ainda as circunstâncias que nos fizeram ter o insucesso eleitoral grave que tivemos há três ou quatro meses atrás e portanto é mesmo nesse caminho que eu tenho esperança, na capacidade de construirmos um caminho diferente e oferecermos uma alternativa às pessoas que passe sobretudo por um paradigma diferente de desenvolvimento", apontou.

Questionado sobre o discurso do líder reeleito do PSD, Rui Rio, na abertura da reunião magna social-democrata, José Eduardo Martins considerou que foram palavras "coerentes com o que tem sido o pensamento do líder e não constituíram, desse ponto de vista, especial surpresa", defendendo ainda que o objetivo para as eleições autárquicas que foi traçado não parece "extraordinariamente ambicioso".

"Uma certa coerência no discurso que é algumas vezes de uma 'adversaliedade' mal dirigida para dentro. Com certeza que no congresso do PSD nós temos que falar do PSD, mas nós temos sobretudo que dizer o que é que temos para oferecer diferente. Este é o primeiro congresso depois de termos perdido as eleições", lembrou.

O papel do PSD perante "um governo situacionista", na perspetiva do antigo deputado, "é ser o partido reformista que sempre foi".

"É não ter vergonha de ser um partido de centro-direita, mas afirmá-lo como uma alternativa que é mais que querer pagar a dívida um bocadinho mais depressa ou um bocadinho mais devagar", disse.

José Eduardo Martins concorda que os críticos devem contribuir para a luta autárquica de 2021, mas considera prematuro estar a falar de nomes.

Almeida Henriques assegura apoio a Rio
O presidente da Câmara de Viseu, Almeida Henriques, que apoiou Luís Montenegro nas diretas, assegurou que o presidente eleito terá "todo o apoio" para trabalhar nos próximos dois anos, mas pediu-lhe que conte "com todos".

"Caro Rui Rio, tens uma grande responsabilidade, criares as condições para que efetivamente o partido possa, nos próximos dois anos, de forma leal e com debate, conquistar os nossos principais desafios", afirmou Almeida Henriques, na sua intervenção perante o 38.º Congresso do PSD.

No entanto, defendeu, esse caminho "tem de ser feito com todos, todos têm lugar no PSD", pedindo até uma maior abertura do partido aos simpatizantes e saudou também os candidatos derrotados nas últimas diretas.

"Tenho de dizer ao presidente legitimamente eleito que tem todo o nosso apoio para o trabalho que temos de fazer. Mas quero saudar também dois companheiros - a democracia nunca fica completa sem contraditório -: Luís Montenegro e Miguel Pinto Luz, acho que merecem a nossa estima e o nosso aplauso", pediu, recolhendo algumas palmas da sala que nunca esteve cheia durante a manhã.

Almeida Henriques desafiou ainda Rui Rio a exigir ao PS que cumpra o acordo que assinou com o PSD na descentralização.

"Quem está em falha não são os autarcas, é o Governo. Diga ao PS, diga ao Governo, cumpram o que assinaram com o PSD", afirmou.

Logo em seguida, falaram dois apoiantes de Rui Rio.

Primeiro, o deputado Duarte Pacheco pediu aos militantes que "ao invés de fazerem críticas ao partido sempre que uma medida é apresentada", "juntem as energias contra o PS".

"Rui Rio pensa sempre primeiro em Portugal", enfatizou, admitindo que, por vezes, até os próprios militantes estranham.

Também o líder da distrital de Viana do Castelo, Eduardo Teixeira, considerou que o tom do Congresso está a ser "de união em torno de Rui Rio".

"Rui Rio convenceu-me com a sua postura, com a sua resiliência, com o seu caráter, com a firmeza, conquistou-nos nos a todos nós e sairá daqui revitalizado para viver Portugal", disse.

A intervenção de Eduardo Teixeira encerrou os trabalhos da manhã pelas 13h17, que serão retomados às 15h00, com as intervenções do antigo líder parlamentar Hugo Soares, destacado apoiante de Montenegro, seguido do atual dirigente André Coelho Lima e do presidente da distrital de Coimbra, Paulo Leitão.


Adão Silva disponível para liderar bancada parlamentar
O deputado social-democrata Adão Silva mostrou-se disponível para liderar a bancada parlamentar do PSD, embora admitindo que os seus pares também deverão estar.

"Dos 78 deputados, tirando Rui Rio, quem é que não está disponível para dirigir uma bancada como a bancada do PSD. Uma bancada diversa, plural, cheia de pessoas com grande categoria. Eu acho que todos os 78 deputados estão disponíveis para assumir esta responsabilidade que é uma responsabilidade exigente e poderosa", disse.

O social-democrata sublinhou, contudo, que, neste momento, a sua candidatura à liderança parlamentar não está em cima da mesa.

Para o deputado, o tema da sucessão na bancada parlamentar só se porá quando o presidente do partido, Rui Rio, e também presidente da bancada parlamentar do PSD, renunciar ao seu mandato.

"Aí obviamente iremos lançar o processo", concluiu.

Questionado pelos jornalistas sobre se Rui Rio desenterrou o "machado de guerra", Adão Silva que na sexta-feira foi apontado por Hugo Soares como um bom líder da bancada parlamentar, admitiu que há sempre quem queira desviar atenção da questão essencial que é que "Portugal pode contar com o PSD, porque o PSD é sobretudo um instrumento ao serviço do futuro dos portugueses".

"Como é que era possível Rui Rio estar a desenterrar um machado de guerra depois da brilhante e reiterada vitória que teve. Era realmente um ato inútil", afirmou, sublinhando que o que é importante é que o PSD não se perca em "querelas de geometria política e ideológica, que o PSD se una todo em torno daquilo que é o seu desígnio ao serviço de Portugal", disse.

O social-democrata, sublinhou, no entanto, que haverá aqueles que quererão que "algumas questões mais secundárias, algumas minudências, sejam postas como questões essenciais".

"Perdem tempo, perdem tempo sobretudo porque o povo social-democrata, os milhares militantes do PSD disseram reiteradamente que o PSD vai ser dirigido, e bem, vai ser presidido, e bem, por Rui Rio nos próximos anos", acrescentou.

Adão Silva disse ainda não temer que os críticos possam voltar a fazer-se ouvir neste congresso, afirmando que "um militante do PSD nunca teme a liberdade".


Miguel Albuquerque garante que Rio "pode contar com o PSD/Madeira"

O presidente do Governo Regional da Madeira, Miguel Albuquerque, considerou que "a unidade do partido é essencial" para o "combate árduo" que tem pela frente, garantindo a Rui Rio que pode contar com o PSD/Madeira.

Miguel Albuquerque subiu este sábado ao púlpito do 38.º Congresso do PSD para abordar aquela que foi a fórmula do sucesso para os resultados eleitorais do partido naquela região autónoma, onde "a esquerda foi derrotada e António Costa perdeu" porque o partido nunca pôs em causa a sua identidade.

"O combate que temos pela frente é um combate árduo, difícil, exigente. Qual é o primeiro passo que temos que dar para vencermos? É a unidade do partido, a unidade é essencial", defendeu.

O líder do PSD/Madeira deixou claro ao presidente reeleito, Rui Rio, que "pode contar com o PSD/Madeira" porque "é um imperativo o partido estar unido".

"Pode contar connosco porque um partido que não transmite para a opinião pública um sentimento de unidade está a transmitir um sintoma de fraqueza e desgaste", sublinhou.

O ex-ministro da Agricultura Arlindo Cunha, apoiante de Rui Rio e que deverá ser o segundo nome da sua lista ao Conselho Nacional, defendeu que é tempo de acabar com as querelas internas.

"Temos todos de ajudar e não vir para este Congresso fazer discursos que eram próprios da campanha eleitoral, mas não agora, porque essas eleições já passaram, temos todos responsavelmente de ajudar quem ganhou as eleições", apelou.

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