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Correio da Manhã

Política

Costa afirma que direção de Rui Rio quer fingir que é diferente do PSD de Passos Coelho

Secretário-geral do PS apontou como exemplo de continuidade a questão do salário mínimo.
Lusa 23 de Janeiro de 2022 às 20:24
Programas de Rui Rio e de António Costa têm vários pontos em comum
Programas de Rui Rio e de António Costa têm vários pontos em comum FOTO: António Cotrim / Lusa
O secretário-geral do PS acusou este domingo a atual direção social-democrata, liderada por Rui Rio, de pretender fingir que é diferente politicamente da de Pedro Passos Coelho, apontando como exemplo de continuidade a questão do salário mínimo.

Esta crítica ao PSD foi feita por António Costa no comício que se realizou no Theatro Circo, em Braga, depois de intervenções do presidente da federação, Joaquim Barreto, do dirigente Hugo Pires, da soprano e diretora artística do Teatro Nacional de São Carlos, a soprano Elisabete Matos, e do cabeça de lista por este círculo, o secretário-geral adjunto do partido, José Luís Carneiro.

"Temos memória e lembramo-nos de quando fizemos o primeiro aumento do salário mínimo nacional, com o PSD a dizer que ia ser uma tragédia para a economia, que as empresas iam falir e disseram que vinha aí o Diabo. Mas lutámos tanto que o Diabo não veio e o que veio foi mais emprego e mais crescimento", afirmou.

De acordo com António Costa, "a atual direção do PSD quer fingir que é diferente da anterior, mas convém salientar que eles não mudaram e pensam exatamente o mesmo daquilo que praticaram no passado".

"O ano passado, com as famílias a atravessarem um momento de maior dificuldade com a crise da pandemia da covid-19, o Governo aumentou o salário mínimo e o PSD foi contra. Este ano, quando voltámos a aumentar o salário mínimo, o PSD foi outra vez contra. E quando dizemos que vamos continuar a aumentar o salário mínimo, o PSD diz que logo se verá se há condições", declarou.

Em jeito de conclusão, o secretário-geral do PS considerou que, "quem não quer subir o salário mínimo menos ainda pretende subir o salário médio".

Na sua intervenção, o secretário-geral do PS insistiu nas advertências sobre a linha programática do PSD em áreas como a saúde e a Segurança Social, mas desenvolveu desta vez o tema das diferenças programáticas em matéria fiscal.

António Costa reiterou então que, se o PS formar Governo, acabará com o pagamento especial por conta, reduzirá seletivamente o IRC para as empresas com boas práticas e, sobretudo, baixará o IRS, "ao contrário do PSD".

Neste ponto, apresentou dois 'slides' com medidas da chumbada proposta de Orçamento do Estado para 2022 no domínio fiscal.

O primeiro foi sobre a proposta de descida do IRS jovem. Um cidadão solteiro, com 23 anos, no primeiro ano de atividade e com um rendimento bruto do agregado de 1.150 euros por mês, pagará menos 629 euros por ano.

No segundo 'slide', referente ao aumento das deduções, assinala-se que um casal com um rendimento bruto de 2.760 euros por mês, com três filhos - o segundo e o terceiro com 4 e 6 anos -- terá uma poupança anual de 780 euros se esta medida for concretizada.

"O PSD diz que fazemos política pela negativa, mas o PSD é que chumbou o Orçamento, impedindo estas medidas. Quando dizemos que há diferenças entre PS e PSD, demonstramos também que essas diferenças têm a ver com a vida das pessoas. O que está em causa não é o António Costa, mas a vida das pessoas", salientou logo a seguir.

Um momento alto do comício de Braga aconteceu quando a soprano Elisabete Matos subiu ao palco para cantar "Nessun Doma", de Puccini, a música da campanha do PS e que antecede sempre os discursos de António Costa.

"É quase impossível agora falar depois de termos ouvido a voz de Elisabete Matos. Que ninguém durma, juntos vamos conseguir continuar a avançar", comentou o líder socialista.

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