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Correio da Manhã

Política
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Costa no Congresso do PS distante e preocupado com PSD "condicionado" pela agenda do Chega

Primeiro-ministro diz que na convenção do MEL "não se falou de um único problema que dissesse respeito à vida dos portugueses".
Lusa 27 de Maio de 2021 às 18:03
António Costa
António Costa FOTO: Lusa
O secretário-geral do PS defendeu esta quinta-feira que há "um mundo" de valores políticos que separam socialistas e sociais-democratas e manifestou-se preocupado com um PSD "condicionado" pela agenda do Chega, considerando isso nefasto para a democracia.

António Costa assumiu estas posições em declarações aos jornalistas, depois de ter entregado a sua moção de orientação política ao Congresso do PS, que se realiza em 10 e 11 de julho, na qual se insiste na continuidade estratégica de soluções à esquerda e em que se critica o posicionamento político do PSD.

Perante os jornalistas, o líder do executivo criticou a recente convenção do MEL (Movimento Europa Liberdade), dizendo que, ao longo de dois dias de "reunião da direita, não se falou de um único problema que dissesse respeito à vida dos portugueses".

"Falaram de problemas que apenas dizem respeito a eles, num concurso de feira de vaidades para saber se regressa o antigo, se aparece um novo ou se mantêm o atual. Estão entretidos nas vaidades", comentou.

Depois, o secretário-geral do PS perguntou "o que quer o dr. Rui Rio discutir sobre a reforma da justiça?".

"Quer discutir a reforma da justiça económica para assegurar uma justiça célere que garanta que as empresas podem ter confiança no cumprimento dos contratos, tal como está previsto no Plano de Recuperação e Resiliência, ou quer discutir coisas como a composição do Conselho Superior da Magistratura, porque não gosta do Ministério Público e da independência do poder judicial? Isso não é importante para os portugueses", apontou.

Partindo do exemplo da justiça, António Costa traçou uma linha de demarcação política: "Efetivamente, há um mundo que nos separa, o que é muito bom".

"É bom porque a vitalidade da democracia assenta na existência de alternativas. Se os portugueses quiserem seguir este caminho, estamos cá. Se quiserem seguir um caminho diferente, então lá está o dr. Rui Rio", sustentou.

António Costa foi ainda mais longe, considerando "perigoso se algum dos principais partidos - o PS ou o PSD -, em vez de afirmar a sua identidade, se deixa condicionar pela agenda política dos outros".

"Manifesto preocupação para a qualidade da democracia pela forma como o PSD se tem deixado condicionar e aprisionar pela agenda do Chega. Isso é que é perigoso, porque enfraquece a alternativa do PSD", acentuou.

Neste ponto, o líder socialista comentou a posição de comentadores que consideram que benéfico para o PS uma hipotética radicalização do PSD à direita.

"Dizem que até é bom para o PS, porque assim muitos eleitores da área mais do centro, que às vezes votam PS e outras no PSD, sentem-se mais confortáveis para votar no meu partido. Do ponto de vista partidário, até pode ser útil. Mas para a democracia é mau. Deve haver uma clara fronteira entre os que estão do lado da democracia e os que estão do outro lado", salientou o secretário-geral do PS.

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