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Correio da Manhã

Política
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Deputada Cristina Rodrigues na sessão na AR em protesto por não intervir na sessão de comemoração do 25 de Abril

Parlamentar indicou que quer participar no desfile em Lisboa.
Lusa 21 de Abril de 2021 às 13:58
Deputada Cristina Rodrigues
Deputada Cristina Rodrigues FOTO: Facebook
A deputada não inscrita Cristina Rodrigues anunciou esta quarta-feira que vai protestar o facto de não poder intervir na sessão solene de comemoração do 25 de Abril na Assembleia da República e indicou que quer participar no desfile em Lisboa.

Numa nota enviada à Lusa, a parlamentar considera que "tanto a alteração ao regimento [do parlamento] como a negação da possibilidade de falar na cerimónia de celebração do 25 de Abril, demonstram um claro preconceito para com as deputadas não inscritas" e salienta que "esta situação ganha especial relevância no dia que se celebra o fim da opressão e do silenciamento do povo".

"Assim sendo, estarei presente na cerimónia na Assembleia da República, mas farei questão de assinalar o meu protesto e, posteriormente, juntar-me-ei ao desfile do 25 de Abril, para o qual não procedi a qualquer inscrição", refere Cristina Rodrigues (ex-PAN), defendendo que "o 25 de abril é de todas as pessoas".

Segundo indicou à Lusa fonte oficial do seu gabinete, a deputada não inscrita vai ter vestida uma camisola com uma mensagem de protesto.

"Atendendo à restrição de direitos que se vive dentro da própria casa da democracia, celebrarei o dia da liberdade onde a revolução se deu, na rua", afirma Cristina Rodrigues.

Apontando que a implementação de medidas de confinamento "teve como efeito a restrição de direitos fundamentais, muitos conquistados com a Revolução de Abril", a deputada não inscrita defende que "no contexto atual, é fundamental evocar os valores de Abril" que "podem ajudar a ultrapassar os problemas que a pandemia agravou".

"A sessão solene comemorativa do 25 de Abril representa, assim, um momento ímpar para lembrar o que a democracia representa para nós e enaltecer os princípios fundamentais da igualdade, da liberdade e da tolerância. Acontece que a Assembleia da República já teve oportunidade de mostrar, e agora voltou a fazê-lo, que não somos assim tão iguais nem tão livres", critica ainda.

De acordo com o cerimonial da sessão solene comemorativa do 47.º aniversário do 25 de Abril de 1974, vai usar da palavra o Presidente da República, o presidente da Assembleia da República, os grupos parlamentares (seis minutos para cada) e também os deputados únicos do Chega e da Iniciativa Liberal (três minutos para cada).

Na semana passada, a deputada endereçou um ofício ao presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, pedindo que lhe fosse dada a possibilidade de intervir na sessão, o que lhe foi negado.

Na reposta, à qual a agência Lusa teve acesso, o gabinete de Ferro Rodrigues argumentou que "não há disposição regimental que preveja, nem precedente parlamentar que contemple a intervenção de deputados não inscritos nesta sessão solene" e salientou que a questão foi "expressamente abordada na última revisão do regimento e ainda discutida em sede de conferência de líderes", tendo sido decidido a "não atribuição de tempos" às deputadas não inscritas.

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