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Correio da Manhã

Política

Eleições avançam com SNS sob pressão

Governo criticado por falta de organização do sufrágio. Nesta fase, candidatos apelam à segurança.
Wilson Ledo 13 de Janeiro de 2021 às 01:30
Debate televisivo junta os sete candidatos à Presidência da República
Debate televisivo junta os sete candidatos à Presidência da República FOTO: Direitos Reservados
Apesar do escalar da pandemia, as eleições são mesmo para manter a 24 de janeiro. Os sete candidatos a Presidente da República insistiram ontem no esclarecimento e nas condições de segurança, para que os portugueses se sintam envolvidos e haja menos abstenção.

À esquerda reconhece-se que a campanha tem de existir, embora em moldes diferentes. "Não fazer campanha é desvalorizar, é não querer esclarecer", atirou Ana Gomes. Já João Ferreira defendeu que a "preocupação devia ser debater os problemas do País". Com Portugal a entrar num novo confinamento, Marisa Matias falou numa "situação dramática" e preferiu pedir ao Governo que as novas medidas venham "com a garantia dos rendimentos das famílias e apoios às empresas".

À direita, atiraram-se culpas ao Governo por não ter preparado devidamente estas eleições. "Estamos num ponto de não retorno", atirou o liberal Tiago Mayan Gonçalves. André Ventura lembrou que "uma revisão constitucional não pode ser feita em estado de emergência". Marcelo ao entrar em direto - a partir de casa, já depois de o debate ter arrancado, após se mostrar irritado com a mudança de posição das autoridades de saúde, que impediram a ida ao Pateo da Galé - deixou claro porque não haveria um adiamento: após as audições de ontem aos partidos, informou, "não houve nenhum que tivesse defendido a ideia de uma revisão constitucional".

Já numa referência indireta a Marcelo, Vitorino Silva alertou para a abstenção e disse que teria "vergonha de tomar posse num País em que metade não foi às urnas".

O debate na RTP avançou depois para a questão da saúde, com os candidatos a dividirem-se em relação ao papel dos privados no Sistema Nacional de Saúde (SNS). "É preciso investir mais no SNS em 2021 e nos anos seguintes", posicionou Marcelo. Também Marisa Matias insistiu que é necessário contrariar o "desinvestimento" de que a saúde pública foi alvo nos últimos anos. "O mito de que o SNS é mais caro é só um mito", disse. Já Ana Gomes realçou que "o problema não é de gestão, é de falta de recursos", acusando Marcelo de dar "a mão e o palco aos privados".

Em contexto de pandemia, o candidato comunista reconhece que "não está nem nunca esteve em causa recorrer a entidades privadas". André Ventura lamentou o "preconceito ideológico" em relação ao privado - sugerindo a gestão privada da ADSE - enquanto Tiago Mayan Gonçalves defendeu "liberdade" de escolha dos portugueses sobre onde querem ser tratados. Vitorino Silva pareceu concordar: "[Se estivesse a morrer] não ia escolher entre um médico privado ou público. Eu queria era ser salvo."
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