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Correio da Manhã

Política
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Executivo municipal da Figueira da Foz 'deixa' 32 milhões de dívida a Santana Lopes

Valor era de 92 milhões de euros quando os socialistas assumiram a Câmara, em 2009.
Lusa 11 de Outubro de 2021 às 14:00
Pedro Santana Lopes
Pedro Santana Lopes FOTO: Ricardo Almeida
O executivo municipal da Figueira da Foz, liderado pelo Partido Socialista (PS), fez, esta segunda-feira, o balanço de 12 anos de governação, assinalando a amortização da dívida de 92 milhões de euros "herdada" em 2009, para os 32 milhões.

"Esta dívida [de 92 milhões] muito condicionou a atuação de 12 anos de mandato. Também é de realçar que recuperámos a credibilização da atuação da Câmara, pois, em 2009, o prazo médio de pagamento a fornecedores era de 272 dias e hoje é inferior a 30 dias", disse, na última reunião do executivo, realizada esta segunda-feira, o presidente da Câmara Municipal, Carlos Monteiro, que termina o mandato no domingo.

O valor de 32,2 milhões de dívida, registada a 30 de setembro, reporta a cerca de 25,3 milhões de euros (19 milhões de médio e longo prazo, incluindo cerca de 12 milhões em financiamento bancário e seis milhões de curto prazo) e 6,9 milhões da empresa municipal de habitação Figueira Domus.

Para além da amortização de cerca de 60 milhões de dívida em 12 anos -- a primeira década liderada por João Ataíde (já falecido), até este ir para o Governo em 2019, e os últimos dois anos por Carlos Monteiro -- o autarca destacou a disponibilidade de tesouraria do município litoral do distrito de Coimbra, que se cifra em cerca de 16 milhões de euros.

Outros dados revelados esta segunda-fera apontam para um valor total de investimento (obra paga) de 92 milhões de euros em 12 anos e, como "herança para o futuro", mais de 90 empreitadas e fornecimento de bens e serviços atualmente em execução ou em procedimento concursal em todas as 14 freguesias do concelho, "com a respetiva dotação orçamental" de 43,5 milhões de euros, 20,6 milhões dos quais "a coberto de candidaturas a fundos comunitários", afirmou Carlos Monteiro.

Após uma intervenção de cerca de 20 minutos sobre o trabalho realizado em variadas áreas de intervenção municipal, o autarca revelou que o mapa de pessoal afeto ao município possui 838 funcionários -- incluindo a Câmara Municipal, Proteção Civil, Figueira Domus, Bombeiros Sapadores e cinco agrupamentos escolares -- ascendendo o número de avençados e prestadores de serviços a 27 pessoas.

Carlos Monteiro lembrou ainda que, no atual mandato, o concelho foi "profundamente afetado por várias catástrofes", desde o incêndio que o atravessou em 2017, o furacão Leslie, que em 2018 provocou "mais de 40 milhões de euros de prejuízo, dos quais quatro milhões em espaço público e cerca de 800 mil euros nas coletividades" e a covid-19 "que condicionou que cerca de 2,5 milhões do orçamento municipal fossem alocados à mitigação dos danos provocados por esta pandemia".

"Ainda assim, a bem da dignificação da democracia, o programa eleitoral com que nos candidatámos em 2017, foi cumprido em mais de 95%", frisou.

"Em nota final para memória futura, sem nunca ter posto em causa a dignidade da representação da autarquia, pretendo que seja do conhecimento público que o valor total de ajudas de custo, ao longo de 12 anos de exercício, foi de 988,55 euros, o que configura uma média de 82,38 euros por ano", enfatizou Carlos Monteiro.

O movimento independente Figueira a Primeira, de Pedro Santana Lopes, vai liderar, sem maioria, o executivo municipal da Figueira da Foz, depois de ter vencido as últimas eleições autárquicas com 40,39% dos votos e quatro mandatos.

Com os mesmos quatro mandatos, o PS obteve 38,39% dos votos e o PSD 10,83% e um mandato.

A tomada de posse dos novos órgãos municipais está agendada para domingo, a partir das 15h00, no grande auditório do Centro de Artes e Espetáculos.

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