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Política
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Jorge Sampaio: As principais reações à morte do homem do “sereno testemunho de vida”

Antigo Presidente da República morreu esta sexta-feira. Estava internado desde dia 27 de agosto no Hospital de Santa Cruz.
Correio da Manhã 11 de Setembro de 2021 às 09:38
  Jorge Sampaio
Jorge Sampaio FOTO: Reuters
Morreu o antigo Presidente da República Jorge Sampaio esta sexta-feira aos 81 anos. O ex-chefe de Estado estava internado desde dia 27 de agosto no Hospital de Santa Cruz, em Lisboa, com dificuldades respiratórias.

As reações à morte do homem do "sereno testemunho de vida" não se fizeram esperar tanto em Portugal como no estrangeiro. 

Reações nacionais:
"Lutando, mas serenamente, nos deixou hoje o Presidente Jorge Sampaio. Lutando serenamente, como sereno foi o seu testemunho de vida ao serviço da liberdade e da igualdade." Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República.

"Portugal perdeu um dos seus mais prestigiados cidadãos, que sempre serviu o seu país com distinção e honra." Eduardo Ferro Rodrigues, presidente da Assembleia da República. 

"[Exerceu sempre as suas funções políticas] com o mesmo sentido cívico de militância e convicção com que em 1962 assumiu a liderança do movimento estudantil de combate à ditadura." António Costa, primeiro-ministro.

Reações internacionais:
"Jorge Sampaio deu um contributo inestimável às Nações Unidas, onde deixou uma marca decisiva na luta pela paz e pelo diálogo entre culturas e civilizações [...]. Portugal perde um dos seus melhores." António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas. 

"Defensor convicto dos direitos humanos […] teve um papel crucial na promoção dos direitos e da dignidade dos refugiados." Ursula Von der Leyen, presidente da Comissão Europeia. 

"Foi um arauto de causas nobres, de causas justas em todo o mundo, em particular em Timor-Leste. [...] extraordinário ser humano, era um coração bondoso, uma alma sensível." José Ramos-Horta,  ex-presidente de Timor-Leste.

Fez a escolha de ser solidário
"Podendo ter-se resignado ao caminho mais fácil do jurista respeitado, da quietude da sua origem social, do natural ascendente da sua cultura, do seu pensamento", Jorge Sampaio "escolheu o caminho mais ingrato da solidariedade para com os que mais sofriam, do convívio com o concreto, da privação da sua saúde frágil em exaustivos e desgastantes labores", enfatizou ontem o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

Sempre a exercer a cidadania
O primeiro-ministro destacou esta sexta-feira o sentido cívico, militância e convicção com que Jorge Sampaio desempenhou múltiplas funções, desde a liderança do movimento estudantil contra a ditadura, à Presidência da República e até ao auxílio aos refugiados sírios. "Para Jorge Sampaio, o exercício dos seus múltiplos cargos políticos foi sempre e só mais uma forma de exercer a sua cidadania", sublinhou António Costa.

Um Presidente de causas
O ex-Presidente da República Aníbal Cavaco Silva afirmou ontem que o tempo é de "profunda tristeza nacional" e sublinhou que o povo português "tem todas as razões para admirar e honrar" o antigo Chefe de Estado Jorge Sampaio. Cavaco Silva recordou ainda que Sampaio dedicou "muito do seu tempo" à causa de Timor-Leste e salientou que "uma das suas últimas causas", a ajuda a estudantes sírios, "mostra bem a sua visão humanista".

Figura central da democracia
O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, afirmou ontem que Jorge Sampaio foi uma figura "central" da democracia de abril, um "incomparável homem de Estado" que deixou uma marca "decisiva" na luta pela paz e no diálogo entre civilizações. Numa declaração à Lusa, Guterres recordou que Sampaio "foi um amigo querido e um companheiro de luta em momentos decisivos para a vida do nosso país".

PORMENORES
Salvo na Praia da Luz
Na Praia da Luz, em Lagos, onde desapareceu Maddie, Sampaio passou por sérias dificuldades, a 10 de agosto de 2013. Foi salvo por banhistas, que ouviram os seus gritos de socorro. "Ele estava em perigo. Tinha sido arrastado por uma onda maior e estava a ser apanhado por outras quando o conseguimos puxar para a praia", revelou, na altura, ao CM, José Lacerda, de Vila Nova de Gaia. "Estava muito branquinho e fraco, pensei que fosse cair, mas depois parou para descansar. Recuperou e foi-se embora, com ajuda de um segurança", relatou uma outra banhista, que assistiu a tudo.

Guterres e rei de Espanha
O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, o rei de Espanha, Felipe VI, e representantes de todos os Estados-membros da Comunidade de Países de Língua Portuguesa vão marcar presença amanhã nas cerimónias fúnebres de Estado de Jorge Sampaio.

Cultura evoca o homem
Personalidades da cultura, como o músico Pedro Abrunhosa, o ator Ruy de Carvalho, o encenador Tiago Rodrigues ou a escritora Luísa Ducla Soares, recorreram às redes sociais para recordarem Jorge Sampaio. "O político digno e culto", o "melhor que conseguimos", "um homem maior do que um país", foram algumas das reações.

Confederações patronais
O Conselho Nacional das Confederações Patronais recordou "a serenidade e a ponderação cruciais" do antigo Presidente da República em momentos difíceis da sociedade e da política portuguesas, garantindo a estabilidade do País.

Confederações sindicais
A CGTP lembrou ontem Jorge Sampaio como um "lutador pela defesa da liberdade e a consolidação da democracia", que exortava os portugueses a nunca desistirem. Já a UGT enalteceu a "figura incontornável da democracia, da luta pela liberdade, do civismo, da ética e da cidadania, da tolerância e do humanismo".
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