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Correio da Manhã

Política
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Marcelo Rebelo de Sousa elogia Eanes e militares da madrugada de 25 de Abril

Portugal deve discutir “sem temores nem complexos” a herança colonial.
Wilson Ledo 26 de Abril de 2021 às 08:34
Presidente elogiou “heróis de Abril” ao sublinhar que “não tinham sido militares de alcatifa”, naquele que foi o seu sexto discurso da data no Parlamento
Presidente elogiou “heróis de Abril” ao sublinhar que “não tinham sido militares de alcatifa”, naquele que foi o seu sexto discurso da data no Parlamento FOTO: ANTÓNIO COTRIM/lusa

Naquele que foi o segundo 25 de Abril em Estado de Emergência, Marcelo Rebelo de Sousa virou o discurso para o passado. O Presidente da República elogiou Ramalho Eanes e deixou para trás a corrupção, preferindo desafiar o País a confrontar-se com a sua herança colonial "sem temores nem complexos".

Numa cerimónia que contou com 47 deputados, o Chefe de Estado alertou que a discussão não deve servir para alimentar "campanhas de certos instantes" e confrontos políticos que não são "prioritários" para os portugueses. "Não há, como nunca houve, um Portugal perfeito. Como não há, nunca houve, um Portugal condenado", resumiu. Com a pandemia em segundo plano, pediu "lúcida serenidade" na análise do passado, à luz do seu tempo e não apenas com "os olhos de hoje". Marcelo lembrou também que os "heróis naquela madrugada do 25 de Abril" de 1974 "não tinham sido militares de alcatifa", mas os "grandes militares no terreno" e elogiou Ramalho Eanes: "Veio a ser peça-chave na mudança de regime e primeiro Presidente da República eleito na democracia portuguesa e que sempre recusou o marechalato que merecia e merece."

O discurso foi aplaudido por todos os que se encontravam no plenário, à exceção de André Ventura. O PEV, no entanto, lamentou que as questões sociais da pandemia não tivessem sido abordadas. Já à tarde, também António Costa elogiou as palavras do Presidente da República, por enaltecer a defesa da diversidade.

Mas o tema forte da sessão dos 47 anos da revolução dos Cravos foi mesmo a corrupção, ainda na ressaca da decisão instrutória da Operação Marquês. Foi o presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, quem lançou o isco ao dizer que "não há donos da transparência". Para alertar que políticos e magistrados não podem ser suspeitos à partida, numa altura em que é intenso o debate sobre o enriquecimento injustificado.

O tema marcou as intervenções de quase todos os partidos, abrindo um novo convite do líder do PSD para "acordos estruturais" com o PS. Focado na Justiça, Rui Rio lamentou que tenha faltado "vontade política e ambição" para avançar com mexidas e justificou que um sistema a funcionar seria "a melhor forma de combater o radicalismo".

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