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Correio da Manhã

Política
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Matos Correia defende antecipação do Congresso do PSD para evitar esperar mais de um mês por nova direção

Apoiantes de Paulo Rangel, candidato à liderança do partido, estão a recolher assinaturas para se antecipar o Congresso.
Lusa 27 de Outubro de 2021 às 15:17
O deputado do PSD José Matos Correia
O deputado do PSD José Matos Correia FOTO: Tiago Petinga/Lusa
O antigo dirigente do PSD Matos Correia defendeu esta quarta-feira a antecipação do Congresso, dizendo que "ninguém compreenderia" que os sociais-democratas esperassem mais de um mês para terem uma direção eleita em caso de eleições antecipadas.

Em declarações à Lusa, o apoiante de Paulo Rangel na candidatura à liderança do PSD disse ser necessário aguardar até final da tarde para se "compreender se vai haver ou não reprovação do Orçamento e se se confirmará, como Presidente da República anunciou, que haverá eleições antecipadas".

Dirigentes distritais e conselheiros nacionais que apoiam Paulo Rangel na candidatura à liderança do PSD estão a recolher assinaturas para realizar um Conselho Nacional extraordinário que antecipe o Congresso do partido de janeiro para dezembro.

"Confirmando-se o que parece mais provável, parece-me uma evidência que haveria vantagem em antecipar o congresso", disse, considerando que o PSD já foi "bastante construtivo e inteligente" ao marcar as diretas para 4 de janeiro em vez de optar pela hipótese de janeiro, que também foi hipótese.

Questionado se, perante a confirmação de um cenário de crise política, não teria sido preferível ter aprovado a proposta da direção de adiar a marcação do calendário eleitoral, o antigo vice-presidente do PSD respondeu negativamente.

"A proposta da direção política era absolutamente inaceitável, os calendários políticos determinados por outros não podem ser aqueles a que o PSD tem de se subordinar", defendeu.

Para Matos Correia, "não teria sentido nenhum" que o partido disputasse eventuais legislativas antecipadas "sem uma direção política devidamente legitimada".

"Suspender este ato eleitoral seria, do ponto de vista político, um erro. O que não é um erro é, se este cenário se vier a confirmar, antecipar o congresso para que toda a direção política do partido esteja composta e apta a travar a batalha eleitoral", disse.

De acordo com o requerimento ao Conselho Nacional a que a Lusa teve acesso, a proposta é que as eleições diretas se mantenham em 4 de dezembro e o Congresso se realize entre 17 e 19 de dezembro, em vez de entre 14 e 16 de janeiro, como estava previsto.

De acordo com os estatutos do PSD, o Conselho Nacional reúne ordinariamente de dois em dois meses e, em sessão extraordinária, a requerimento da Comissão Política Nacional, da Direção do Grupo Parlamentar, ou de um quinto dos seus membros.

O requerimento, com a data de 28 de outubro (quinta-feira), pede a realização deste Conselho Nacional extraordinário "nos próximos cinco dias, em Lisboa", sendo o ponto único na agenda a alteração do regulamento relativo às diretas e Congresso.

No último Conselho Nacional do PSD, foi rejeitada uma proposta da direção para se adiasse a marcação do calendário eleitoral interno até se esclarecer se haveria ou não 'chumbo' do Orçamento e eventual crise político, com 71 conselheiros contra, 40 a favor e 4 abstenções.

O presidente do PSD e recandidato ao cargo, Rui Rio, tem defendido que foi "um aventureirismo e uma irresponsabilidade" não ter adiado as diretas, enquanto o candidato Paulo Rangel defende que só um líder "fortemente legitimado" se deve apresentar às legislativas.

SMA // SF

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