Barra Cofina

Correio da Manhã

Política
7

Medina critica "utilização alterada" da lei de manifestação pela Iniciativa Liberal

Presidente da CML frisou que o IL "não cumpriu as regras da Direção-Geral da Saúde" e pensou que "podia fazer de uma manifestação um festejo à revelia de qualquer regra".
Lusa 13 de Junho de 2021 às 21:01
Fernando Medina admitiu que não foi informado pessoalmente pelos serviços da câmara sobre as queixas
Fernando Medina admitiu que não foi informado pessoalmente pelos serviços da câmara sobre as queixas FOTO: Pedro Simões
O presidente da Câmara Municipal de Lisboa criticou hoje o arraial promovido pela Iniciativa Liberal (IL), considerando que se tratou "de uma utilização alterada" da lei de manifestação e que contrastou com "o comportamento exemplar" dos lisboetas.

"Relativamente àquilo que assistimos da parte da Iniciativa Liberal, trata-se de uma utilização alterada daquilo que a lei prevê, que é a liberdade de manifestação, que foi utilizada da forma que se viu de um partido político que atuou em exceção e contrária ao que vimos por toda a cidade", disse Fernanda Medina aos jornalistas, após a inauguração do Parque Urbano Gonçalo Ribeiro Telles, na Praça de Espanha.

Em reação ao arraial promovido no sábado em Lisboa pela IL e que reuniu centenas de pessoas, numa altura em que a capital está em alerta devido ao elevado número casos de covid-19 e que a Câmara Municipal de Lisboa (CML) decidiu cancelar os festejos de Santo António, o autarca sublinhou que "um partido político decidiu dar um sinal contrário".

O presidente da CML frisou que o IL "não cumpriu as regras da Direção-Geral da Saúde" e pensou que "podia fazer de uma manifestação um festejo à revelia de qualquer regra".

"Toda a cidade compreendeu a exigência do momento e a importância de fazermos mais um esforço até à vacinação estar mais ampliada para não expandir e propagandear a doença", disse, realçando que "o comportamento ficou com esse partido".

Fernando Medina destacou ainda o exemplo que os lisboetas deram na noite dos Santos Populares.

"No momento em que a pandemia dá sinais de crescer na cidade de Lisboa, o que nós assistimos foi um comportamento absolutamente exemplar da generalidade das pessoas", disse.

Apesar de a Câmara Municipal de Lisboa ter cancelado os festejos tradicionais dos Santos Populares e de as autoridades de saúde terem emitido um parecer desfavorável, a IL agendou um arraial comício para a tarde de sábado, ocupando o Largo Vitorino Damásio, em Santos, com dezenas de mesas, quiosques de venda de bebidas, assim como quatro generosos assadores para sardinhas e bifanas.

Num parecer a que a agência Lusa teve acesso, o Delegado de Saúde Regional de Lisboa e Vale do Tejo, António Carlos da Silva, mostrou-se "desfavorável relativamente a todas as atividades que extravasem o referido comício político", defendendo que "atendendo ao princípio de precaução em saúde pública, e pela situação epidemiológica atual na cidade de Lisboa, a mesma não deverá ocorrer e ser adiada".

Em agosto de 2020, depois de o PCP ter decidido manter a realização da Festa do Avante, o presidente e único deputado da IL, João Cotrim de Figueiredo, apresentou na Assembleia da República um requerimento para que fosse divulgado na íntegra o parecer da Direção-Geral da Saúde (DGS)sobre aquela iniciativa.

No requerimento, o presidente da IL alegava existirem "dois pesos e duas medidas em matéria de grandes eventos" em Portugal e que a realização da Festa do Avante colocava em causa "os sacrifícios dos últimos meses", ao longo dos quais as regras de contenção da pandemia impediram a realização de festas.

Mais informação sobre a pandemia no site dedicado ao coronavírus - Mapa da situação em Portugal e no Mundo. - Saiba como colocar e retirar máscara e luvas - Aprenda a fazer a sua máscara em casa - Cuidados a ter quando recebe uma encomenda em casa. - Dúvidas sobre coronavírus respondidas por um médico Em caso de ter sintomas, ligue 808 24 24 24
Ver comentários