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Correio da Manhã

Política
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Moção de Rangel à liderança do PSD insiste na recusa de Bloco Central "ainda que de meia-legislatura"

Prazo para a entrega das candidaturas à liderança do PSD termina esta segunda-feira.
Lusa 22 de Novembro de 2021 às 16:24
Paulo Rangel
Paulo Rangel FOTO: Lusa
A moção de Paulo Rangel à liderança do PSD insiste na recusa da solução de Bloco Central "ainda que de meia-legislatura", embora salvaguarde que irá respeitar "a vontade expressa pelos eleitores" no quadro que resultar das legislativas.

A moção "Portugal: Ambição e Esperança" foi entregue por Paulo Rangel, na sede nacional do PSD, no âmbito da formalização do seu processo de candidatura à presidência do partido.

Tal como tem defendido o eurodeputado na campanha interna das últimas semanas, a moção afirma que "o PSD deve apresentar-se em listas próprias às legislativas antecipadas de 2022, com o objetivo de alcançar uma vitória em linha com a sua vocação maioritária".

"Vocação esta que se traduz preferencialmente na obtenção de uma maioria absoluta ou na formação de uma maioria estável, aberta aos nossos parceiros naturais (CDS e IL), que sustente um governo com o horizonte da legislatura", refere o texto.

A moção insiste que o país "precisa de um PSD que lute para vencer e para governar, que não se conforme com resultados tão dececionantes como a derrota das últimas legislativas, nem com o objetivo menor de retirar a maioria absoluta ao PS ou de viabilizar ou apoiar a continuidade da governação socialista".

"O líder do PSD tem sempre de ser o candidato a primeiro-ministro, não se reduzindo a ser um proto-candidato a vice-primeiro-ministro, ou a um apoio de recurso ao PS e a António Costa", sublinha a moção.

Sobre o quadro pós-legislativas, o texto refere que "sem prejuízo do respeito pela vontade expressa pelos eleitores, o PSD deve recusar a solução de bloco central ainda que de meia-legislatura", numa referência à possibilidade admitida pelo opositor interno Rui Rio de acordos com o PS para a viabilização de eventuais governos minoritários de PSD e ou PS por pelo menos dois anos.

"O PSD deve recusar também a formação de coligações ou alianças com forças políticas radicais, sejam de direita ou de esquerda. Qualquer destas vias alimentaria populismos e radicalismos, com a mesma incapacidade reformista. Nenhuma serve o interesse nacional de um reformismo ambicioso e moderado", refere o texto, reiterando posições expressas por Rangel de acordos governativos com o Chega.

A moção faz um diagnóstico crítico da governação socialista, que considera ter perdido "uma oportunidade de ouro irrepetível com cinco anos de conjuntura internacional e de condições financeiras externas excecionalmente propícias para Portugal".

"Com um projeto político de controlo do poder pelo poder e vinculado ao radicalismo de esquerda, a proposta política do Partido Socialista de António Costa está completamente esgotada. Já nada tem a oferecer a Portugal", refere o texto, acusando o PS de ter deixado o país a caminho de ser "o país mais pobre e com salários mais baixos da UE".

Na moção, coordenada pelo ex-ministro Miguel Poiares Maduro e o economista Fernando Alexandre, refere-se que o Governo socialista foi "marcado pelo nepotismo e pela promiscuidade", com "sinais profundamente inquietantes de desistência ou facilitismo no combate à corrupção, de desprezo pelas instituições independentes e separação de poderes, de implosão da concertação social, de convívio difícil com a liberdade de imprensa e de dominação do Estado pelo Partido Socialista e da Sociedade Civil pelo Estado".

Ainda assim, lamenta-se, "o PSD não conseguiu ainda afirmar-se como a alternativa, nem diferente, nem ambiciosa", classificando-se em várias passagens a oposição feita pelo partido como "débil", a mesma expressão utilizada recentemente pelo ex-Presidente da República Cavaco Silva.

"O PSD tem que ser responsável, mas não débil, quando se é oposição. O PSD não se pode limitar a esperar pela alternância no poder. O nosso caminho não pode ser o de emagrecer o espaço político do partido na sociedade por meio de alegadas depurações e equívocos programáticos", refere-se, considerando que o partido "não conseguiu mobilizar os portugueses e assim alimentou o crescimento de novas forças políticas não socialistas".

Mais de 46.000 militantes do PSD vão poder votar, no próximo sábado, nas eleições diretas para escolher o presidente do partido. Além do eurodeputado Paulo Rangel, recandidata-se o atual líder, Rui Rio, que já divulgou no domingo a sua moção de estratégia, intitulada "Governar Portugal".

Também o ex-candidato do partido à Câmara Municipal de Alenquer, Nuno Miguel Henriques, manifestou a intenção de se candidatar à liderança do PSD, e dará esta segunda-feira ao final da tarde uma conferência de imprensa.

O prazo para a entrega das candidaturas termina esta segunda-feira e têm de ser acompanhadas de 1500 assinaturas e de uma moção de estratégia.

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