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Correio da Manhã

Política
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Novo Banco dá a Costa “galinhas com dentes”

António Costa diz que empréstimo será pago até 2046, sem custos para os contribuintes.
Wilson Ledo 13 de Maio de 2021 às 08:27
Primeiro-ministro comparou a recuperação do banco herdeiro do BES a "endireitar a sombra de uma vara torta"
Primeiro-ministro comparou a recuperação do banco herdeiro do BES a 'endireitar a sombra de uma vara torta' FOTO: Duarte Roriz
O primeiro-ministro defendeu esta quarta-feira que a venda do Novo Banco “evitou um desastre para Portugal”. António Costa respondia a Rui Rio, que o desafiara a admitir que o negócio tinha sido um “completo desastre”.

No Parlamento, Costa argumentou que o fim do banco teria deixado desequilibrado todo o sistema financeiro. Mas o líder da oposição não ficou convencido, insistindo que a fatura dava já “para construir um hospital central em cada distrito”.

No despique, o primeiro-ministro garantiu que todo o dinheiro emprestado pelo Estado será pago até 2046, tendo já sido arrecadados 588 milhões de euros em juros. “O empréstimo vai ser pago mas é quando as galinhas tiverem dentes”, reagiu Rio, criticando ainda a resposta que recebeu da Procuradoria-Geral da República (PGR). Aí, o líder do Governo não se conteve: “Confia mais na evolução fisiológica das galinhas do que na PGR”.

Já a bloquista Catarina Martins aproveitou o debate para conseguir ter o primeiro-ministro a reiterar que não haverá custos para os contribuintes. No desafio lançado a Costa, para que não injete mais dinheiro no Novo Banco sem autorização do Parlamento, a reação foi diferente: “Nunca assumirei esse compromisso. Os contratos são para cumprir”.

Se a centrista Cecília Meireles atacou o “contrato ruinoso” com a Lone Star, o liberal João Cotrim de Figueiredo acusou o PS de promover uma “narrativa de desresponsabilização”. Minutos depois, o socialista João Paulo Correia confirmava isto mesmo, ao atirar culpas para o anterior Governo PSD/CDS-PP: “Ter o Dr. Sérgio Monteiro a vender o Novo Banco é colocar a raposa à porta do galinheiro”.

Num debate onde o Novo Banco foi o tema forte, Costa admitiu que havia razões para duvidar da qualidade dos ativos. “O Novo Banco é uma história muito triste. E é difícil endireitar a sombra de uma vara torta”, lamentou.


PORMENORES
Solução na habitação
As condições de trabalho nas estufas de Odemira foi um dos temas quentes do debate. Costa insistiu que está a ser feito um esforço para garantir habitação digna aos imigrantes, recordando os protocolos assinados com a autarquia e com os produtores.

Costa segura Cabrita
Recordando as sucessivas falhas de Eduardo Cabrita, incluindo em Odemira, a oposição voltou a pedir a demissão do governante. “Quem me dera que o meu problema fosse o Ministro da Administração Interna”, afirmou Costa, reforçando a confiança num “excelente ministro”.
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