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Correio da Manhã

Política
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Pacto AUKUS evidenciou "falha de diálogo entre aliados", diz ministro da Defesa português

João Gomes Cravinhe afirmou que se verificam "alterações geoestratégicas de fundo".
Lusa 24 de Setembro de 2021 às 23:19
O ministro da Defesa português considerou esta sexta-feira que o pacto AUKUS para o Indo-Pacífico feito entre Estados Unidos da América, Reino Unido e Austrália evidenciou uma "falha ao nível do diálogo entre Aliados" e "alterações geoestratégicas de fundo".

João Gomes Cravinho prestava declarações à agência Lusa depois de ter participado na 4ª edição da Iniciativa Europeia de Intervenção - lançada pelo presidente francês, Emmanuel Macron, em 2018 -- que decorreu em Estocolmo, na Suécia, e contou com a presença de vários ministros da Defesa europeus ou representantes, entre eles, da França e do Reino Unido.

Questionado sobre o pacto trilateral de defesa assinado este mês entre Estados Unidos da América, Reino Unido e Austrália para a região do Indo-Pacífico, denominado AUKUS, que levou ao cancelamento por parte da Austrália de um contrato com a França para o fornecimento de submarinos, Gomes Cravinho adiantou que o mesmo não foi falado na reunião mas deixou algumas considerações sobre o assunto.

"São evidentes vários aspetos, em primeiro lugar, que houve uma falha a nível do diálogo entre aliados, o que vindo na sequência daquilo que se passou em relação ao Afeganistão, é evidente que lamentamos", começou por responder.

Para Gomes Cravinho é igualmente evidente que "numa perspetiva mais geoestratégica, este pacto evidencia alterações geoestratégicas de fundo, cujo alcance ainda é algo cedo para poder definir com clareza".

"Julgo que o AUKUS, que ainda estamos para ver exatamente qual será a sua consequência prática durante os próximos anos, mas julgo que terá um impacto em termos do raciocínio europeu, ajudando a compreender aquilo que são as realidades do mundo atual e ajudando também a que consigamos pensar a Europa em termos mais globais e não exclusivamente em termos da região em que estamos inseridos", considerou.

O governante vincou ainda a solidariedade de Portugal com a França no que toca "à quebra de um acordo comercial que era mais do que um acordo comercial".

"Era um acordo comercial com uma forte componente estratégica e lamentamos que tenha sido quebrado desta forma pouco elegante e diria também, sem grande reflexão por parte da Austrália", rematou.

A crise diplomática deve-se ao facto de os Estados Unidos, Reino unido e Austrália terem assinado o pacto AUKUS (iniciais em inglês dos três países anglo-saxónicos), que visa reforçar a cooperação trilateral em tecnologias avançadas de defesa, como a inteligência artificial, sistemas submarinos e vigilância a longa distância.

Uma primeira consequência foi o cancelamento, pela Austrália, de um contrato com a França para o fornecimento de submarinos convencionais e a intenção de comprar submarinos nucleares aos Estados Unidos, o que originou fortes protestos e críticas de Paris.

A França tinha um contrato para a entrega à Austrália de 12 submarinos com propulsão convencional no valor de 56 mil milhões de euros, que foi cancelado por Camberra, tendo o Governo australiano decidido comprar submarinos nucleares aos Estados Unidos.

Os dois presidentes desavindos, dos Estados Unidos e de França, conversaram na quarta-feira, por telefone, e concordaram reunir-se em outubro para reduzir a tensão diplomática provocada pelo caso dos submarinos australianos.

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